<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495</id><updated>2011-07-08T14:38:28.235+01:00</updated><title type='text'>Escrever é rasgar (mo-nos)...</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>125</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-506199684695449475</id><published>2010-02-11T05:15:00.005Z</published><updated>2010-02-11T05:45:10.145Z</updated><title type='text'>O vértice de tudo...</title><content type='html'>Estou no vértice de tudo. O próximo passo (seja para que direcção for) será decisivo. É claro que sei que todos os passos são decisivos. Que até a mais ínfima das escolhas leva a destinos díspares. Mas. Mesmo assim. Este é um momento importante. Quase irrepetível. Um momento mais importante do que outros (talvez) porque é auto-consciente. Sente a sua própria importância no trajecto de escolhas que é a vida. Olha para si próprio com reverência. E por isso engrandece-se. Como a nossa própria sombra ao pôr-do-Sol. Como uma sombra tão grande que se espraia por todos os instantes ínfimos dos dias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento crucial. De ante-câmara da vida. Sinto-me quase omnipotente. Eu posso ser. Tanta coisa. Ser eu em tantos locais distintos. Escrever a minha história de tantas maneiras possíveis. Eu sei que é isto a vida. A página em branco sublime onde nos podemos escrever (ou pintar ou rabiscar) da forma que quisermos. Eu sei. Eu passo muito tempo a pensar nas escolhas. Nos prós e contras. Nos sins e nãos. Mesmo das coisas mais ridículas. E é por isso que sei que estou no vértice. É por isso que sinto o poder da escolha na palma das mãos. Sinto-o como uma chama que me ardesse dos dedos sem mos consumir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me inquieta. No entanto. É a escuridão em que tenho de dar o próximo passo. A incapacidade de avaliar. De julgar. De pesar. De imaginar até. Tudo o que virá. E por isso sinto-me cego. Ou vendado como as senhoras dos anúncios para escolher o melhor produto alimentar. Mas. Neste caso. Também sem gosto e olfacto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou no vértice de tudo. Se pudesse colocar um marcador de livro neste dia. Nesta semana. Colocá-lo-ia. Como uma salvaguarda. Se tudo corresse mal. Se me escrevesse torto por linhas aparentemente direitas. Se me rabiscasse vezes sem conta e as páginas ficassem um interminável esboço do que poderiam vir a ser. Nesse caso poderia voltar aqui e começar uma nova história...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sim. Eu sei. A vida não é nada disto. Ou talvez até seja, na maioria das pequenas decisões que se nos atravessam à frente. Mas hoje. Neste preciso instante. No vértice de tudo. À sombra omnipresente de um momento adamastor. Parece que estou prestes a escrever a caneta numa folha em branco. Só com uma borracha verde por perto...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-506199684695449475?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/506199684695449475/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=506199684695449475&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/506199684695449475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/506199684695449475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2010/02/o-ev.html' title='O vértice de tudo...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-1851493659889327805</id><published>2010-02-09T04:31:00.002Z</published><updated>2010-02-09T04:41:59.836Z</updated><title type='text'>Frio...</title><content type='html'>Outra vez. Não sei porquê. O frio. A sensação de que nada vale (realmente) a pena. Que me importa se a frase é feita ou por fazer. A verdade (agora) é o frio. E perante ele tudo parece cessar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... &lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brrr.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-1851493659889327805?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/1851493659889327805/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=1851493659889327805&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/1851493659889327805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/1851493659889327805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2010/02/frio.html' title='Frio...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-3795117016797437160</id><published>2010-01-17T05:20:00.002Z</published><updated>2010-01-17T05:27:02.754Z</updated><title type='text'>Vazio</title><content type='html'>Cheguei ao fim do dia triste. Sem saber imediatamente porquê. Só depois me recordei que hoje foi um dia sem te ver. Foi um dia sem ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda esta tristeza seca e desamparada tem origem na saudade. Num desejo de te encontrar nalguma esquina do quarto. Das escadas. Da cozinha. Por isso este vaguear errático pela casa. Esta sensação de que o dia não chegou ao fim. De que há ainda algo de muito bom por acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente hoje foi um dia sem ti. E não há nada de bom por acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[13/07/2006]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-3795117016797437160?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/3795117016797437160/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=3795117016797437160&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/3795117016797437160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/3795117016797437160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2010/01/vazio.html' title='Vazio'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-3336862051207056995</id><published>2010-01-14T03:59:00.004Z</published><updated>2010-01-14T04:09:47.953Z</updated><title type='text'>(Des)necessidades...</title><content type='html'>Não sei dos cadernos. Aliás. Não sei sequer se ainda preciso de saber dos cadernos. Na verdade talvez já nem saiba escrever. Nem falo de o fazer bem ou mal. Falo apenas do próprio acto de escrever. Ultimamente nada me chama para uma folha de papel vazia. Branca e vazia. Nada me chama para um écrã vazio. Vazio e branco. Como o tempo. O tempo que passa e deixa tudo na mesma. Ou melhor. Que passa e não deixa tudo na mesma. Mas há alguma diferença entre estas duas frases? Talvez bastasse dizer: O tempo que passa. Ponto final. Tudo o resto é redundante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-3336862051207056995?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/3336862051207056995/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=3336862051207056995&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/3336862051207056995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/3336862051207056995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2010/01/desnecessidades.html' title='(Des)necessidades...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-6576019884042765160</id><published>2009-09-01T21:47:00.003+01:00</published><updated>2009-09-01T22:23:00.398+01:00</updated><title type='text'>Alta definição...</title><content type='html'>Não sei. Estou cansado. Passa tudo demasiado depressa. Ou sou eu que não consigo acompanhar o ritmo de tudo. Que interessa, afinal? Vai tudo dar ao mesmo. Neste caso, vai tudo dar a esta sensação de vertigem dos dias. A este mundo desfocado que me entra pelos olhos cansados. A este pano de fundo de náusea, que me serve de cenário a todos os instantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem vontade disto, nem de outra coisa. Nem desejo, nem repulsa. Nem esperanças, nem desilusões. Tudo está bem. Tudo está bem, claro. Se alguém te encontrar na rua, sorri. Se te perguntarem "como vais?", responde que está tudo bem. Nem penses em dizer "vou andando". Não vale a pena incertezas. Na realidade, quem é que quer saber? Quem é que, na verdade, se importa? Sorri. Não te esqueças. É fácil. Basta repuxar um pouco os cantos dos lábios e estás safo. Sim, está tudo bem. E porque é que não havia de estar? Não, mais vale dizeres que está tudo bem. Assim escusas de tentar explicar. Escusas de tentar pôr por palavras as tuas ideias orfãs. Desconexas. A tua visão turva dos dias. É claro que está tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não exageres. Isso passa. Tu sabes que sim. Um dia destes dormes melhor e acordas dentro de ti. E vais andar ao mesmo ritmo do que o resto do mundo. Vais ouvir os mesmos tambores do que os teus irmãos. E ver tudo com a nitidez própria da era HD. Que diabo, até destoas. Como uma televisão pequenina, a preto e branco, perdida num mundo de iphones e playstations. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso. Um dia destes acordas e em vez de olhos tens uns plasmas lindos! E a cor toda do mundo vai entrar-te pelos pixéis adentro! Em formato RGB, claro. Nessa altura já nada vai passar depressa demais. Se começar a acelerar, fazes uma pausa e colocas em câmara lenta. Bem podes dizer adeus às vertigens e ao cansaço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até lá. Sorri. Está tudo bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-6576019884042765160?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/6576019884042765160/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=6576019884042765160&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/6576019884042765160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/6576019884042765160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2009/09/alta-definicao.html' title='Alta definição...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-8841934300139927390</id><published>2009-07-14T04:39:00.004+01:00</published><updated>2009-07-14T04:42:29.442+01:00</updated><title type='text'>Solavanco</title><content type='html'>Agarrei na caneta como numa lança. Com vontade de ferir. De me ferir. Quis rasgar o papel com palavras fortes e indomáveis. Selvagens. Sem trela. Poderosas e livres. Mas. Entretanto. Algo se desligou por dentro de mim. Como um interruptor estragado. Ou uma lâmpada velha que se funde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora. Nem a caneta é uma lança nem eu um guerreiro louco. Fiquei agarrado à lembrança vaga de um ímpeto criativo. Que se esfumou. Que se esvaiu. Pela ponta desta caneta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Um dia igual a muitos]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-8841934300139927390?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/8841934300139927390/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=8841934300139927390&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/8841934300139927390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/8841934300139927390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2009/07/solavancos.html' title='Solavanco'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-4628720177213415920</id><published>2009-07-10T19:52:00.003+01:00</published><updated>2009-07-10T20:05:48.033+01:00</updated><title type='text'>Areias do tempo...</title><content type='html'>Será que ainda te lembras de ontem? Dos medos que se encontravam à espreita em cada esquina? Da aventura que era cada passo do caminho? Será que ainda te lembras de como chegámos até aqui? Eu não sei se consigo lembrar-me de tudo. Mas há coisas de que não me esqueci. Subsistem em mim, ainda agora, os restos de todas as sensações que tive até chegar a este dia. São impressões. Leves nuances. Gradações. Que, unidas, perfazem este eu, que agora escreve estas linhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que tudo não passa de um sonho? Há imagens que me atravessam o cérebro de forma desconexa. Pequenos fragmentos que não consigo conciliar. Aos quais não consigo dar sentido. Não sei de onde vêm. Talvez tu te recordes! Diz-me, são verdade? Ou invenções de uma noite mais negra que as outras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem me dera saber distinguir sempre o certo do errado, até mesmo nos sonhos. Até mesmo nas memórias. Preciso que me lembres como se faz. Sei que havia um truque  - Tinha de haver! Havia? - Um truque para saber sempre o que fazer. Sei que havia. Senão como é que tu conseguias? Lembro-me de como, para ti, era tudo tão claro. Para mim sempre foi como ver um espectáculo de magia. Olhava-te maravilhado. Com a admiração incrédula de um miúdo no circo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, não sei nada. Esqueci-me de muita coisa. De quase tudo. Do pouco que sei lembrar, muito é sonho e confusão. Preciso que me digas se te lembras. Se ainda te lembras de ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que mo contes agora. Antes que tudo termine. Antes que tudo seja passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[10/03/2009. Confuso, mas já tinha saudades...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-4628720177213415920?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/4628720177213415920/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=4628720177213415920&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/4628720177213415920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/4628720177213415920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2009/07/areias-do-tempo.html' title='Areias do tempo...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-760435291396218706</id><published>2009-03-26T23:44:00.005Z</published><updated>2009-03-26T23:58:17.157Z</updated><title type='text'>A queda</title><content type='html'>Não sei se acredito no que me voltou a acontecer. Outra vez a desilusão à minha porta. Tomei medidas para que não se repetisse. De há tempos para cá almofadei a minha vida. Limei-lhe as arestas todas. Tentei balizar as minhas expectativas. Passei a ter cuidado com os sonhos. A evitar qualquer emoção feliz por antecipação. É verdade. Passei a percorrer a vida pé ante pé. Com pezinhos de lã. Como um bebé a fazer tem-tem. Com toda a cautela para não dar um passo a mais. Um passo maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não valeu de grande coisa. À primeira distracção, caí. Caiu tudo. Uma vez mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não sei contar as nódoas negras e os arranhões. Nem quero, para falar a verdade. Estou demasiado cansado. Desta vez vou ficar uns tempos aqui em baixo. A tentar perceber os porquês. A tentar perceber os para quês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia destes talvez acorde com vontade. Com confiança. Com coragem. Para tentar uma vez mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, é sempre assim que tudo recomeça...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-760435291396218706?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/760435291396218706/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=760435291396218706&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/760435291396218706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/760435291396218706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2009/03/queda.html' title='A queda'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-7758347099781083713</id><published>2009-03-19T00:03:00.003Z</published><updated>2009-03-19T00:09:18.067Z</updated><title type='text'>Não tenho história</title><content type='html'>Não tenho história - disse ele. Ela sorriu. O resto da frase ainda a rodopiar na sua mente. Abriu os olhos. À sua frente o azul do mar. Depois do fim da falésia e antes da linha do horizonte o transformar num outro azul. Abriu os braços. Minto. Esticou os braços, até o seu corpo ser tão largo como comprido. Até desenhar uma cruz na falésia. Duas cruzes. A silhueta e a sombra a darem mais dimensões ao silêncio no fim das palavras - Não tenho história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em redor o dia acontecia, como um pano à espera de cair sobre o mundo. O vento soprava de todos os lados. Parecia querer entrar por todos os poros da pele. Entranhar-se nela. Fundir-se nessa carne feita cruz à beira do abismo. Ela permanecia quieta. O sorriso ainda no rosto, como um farol por entre o nevoeiro. E pensava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento dava-lhe nos braços a impressão de voar por sobre o azul do mar, em direcção ao pôr-do-sol que se adivinhava. Não tenho história - disse ele. Ela sorriu. E depois sussurrou-lhe baixinho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faz mal. Eu conto-te a minha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-7758347099781083713?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/7758347099781083713/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=7758347099781083713&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/7758347099781083713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/7758347099781083713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2009/03/nao-tenho-historia.html' title='Não tenho história'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-6468626961461339111</id><published>2009-03-09T13:41:00.004Z</published><updated>2009-03-09T14:10:26.130Z</updated><title type='text'>Não são borboletas</title><content type='html'>Outra vez a impressão má no estômago. Não borboletas. Outra coisa. Não sei explicar. Uma angústia qualquer. As angústias não são todas iguais. Aliás, as angústias não têm nada de comum entre si, para lá do nome. E é uma delas que, neste momento, sinto a fervilhar por dentro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De uma certa maneira, é uma naúsea. Semelhante à do outro, a Naúsea de todas as coisas existentes. Mas diferente, ainda. Uma naúsea menos existencialista. Apenas uma vontade inexplicável de vomitar algo, que não o que está no estômago. Uma naúsea concreta de vomitar um dentro abstracto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja uma ânsia. Mas inoperante, ineficaz, incapaz de produzir acção. Uma ânsia entorpecida. Adormecida. Uma inquietação subtil e sub-reptícia. Um vulcão qualquer a explodir em nuvens de silêncio e lavas de desilusão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja isto. Não sei bem. Sei que não são borboletas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-6468626961461339111?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/6468626961461339111/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=6468626961461339111&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/6468626961461339111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/6468626961461339111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2009/03/nao-sao-borboletas.html' title='Não são borboletas'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-6150504618676515321</id><published>2009-03-05T23:53:00.002Z</published><updated>2009-03-05T23:54:03.908Z</updated><title type='text'>As palavras (I)</title><content type='html'>As palavras fogem de mim como o Diabo, dizem, da cruz. As palavras aparecem-me à frente vestidas de oiro e marfim, esmeraldas e rubis. Para desaparecerem antes de as conseguir perceber. Antes de as conseguir fotografar e de as poder chamar minhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras, que já não sei se são doces, se amargas. As palavras onde já não me sei povoar. As palavras ocas como as paredes falsas dos escritórios. As palavras cruéis que me fazem vagabundo dos dias, caminhante num deserto de silêncio. As palavras sozinhas. Solteiras. Sensaboronas. Suspensas num cinzento assustado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras para onde quero correr de braços abertos. Prados de palavras de todas as cores, cheiros e formas. As palavras a serem a sombra de uma árvore que desejo com a força visceral de ser um Homem. As palavras que são rios a correr na distância do ouvido, pássaros a inundar os campos de felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras. Sem saber que as palavras não são mais do que letras e sons esquecidos na poeira de um caixão fechado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Num dia qualquer do passado...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-6150504618676515321?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/6150504618676515321/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=6150504618676515321&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/6150504618676515321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/6150504618676515321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2009/03/as-palavras-i.html' title='As palavras (I)'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-1473663451464164069</id><published>2009-03-04T10:28:00.003Z</published><updated>2009-03-04T10:44:48.339Z</updated><title type='text'>Ausência</title><content type='html'>Sem ti, a solidão fria dos montes aperta-me o coração contra o peito. Como se, a qualquer momento, se fosse esmagar, ou antes, rebentar como um balão vermelho e palpitante. Sem ti custa tudo. Até respirar se me tornou uma tarefa hercúlea. De modo que, agora, não se pode dizer que respiro, mas antes que arquejo pelos dias, como quem se arrasta, nú, sobre um caminho de silvas e tojos. Não percebo a força imensa que o amor carrega, escondida por baixo da capa de liricismo. A força que acende o mundo todo, dando as mais belas cores aos montes, aos rios, às pedras, aos vales, às árvores, ao mar e ao céu. A mesma força que pode, quando o amor acaba - ou se perde, ou se esvai, ou se adia, ou se apaga - pintar, de um só fôlego, todo o Universo de um negro mais fundo que a noite dos tempos, antes de algo ter existido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é a força mais poderosa que existe. E é tudo o que direi, pois em meu redor, o frio da noite espalhou-se já pelos montes e, cá dentro, o coração bate, pequenino, de encontro à muralha pétrea das costelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2007]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-1473663451464164069?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/1473663451464164069/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=1473663451464164069&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/1473663451464164069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/1473663451464164069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2009/03/ausencia.html' title='Ausência'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-4149302758629650385</id><published>2009-03-02T21:58:00.003Z</published><updated>2009-03-02T22:10:41.522Z</updated><title type='text'>Lembranças...</title><content type='html'>Às vezes apetece-me olhar para as coisas e sorrir. Sorrir muito com a cara toda. Como quando era criança e o mundo era feito de desenhos animados.&lt;br /&gt;Apetece-me sorrir como se saltitasse pelas margens do Mississipi com o Tom e o Huck. Sorrir como se ouvisse as histórias do Panda Tao-Tao contadas pela mamã Panda. Sorrir como se sentisse as folhas caírem sobre mim, enquanto andava de carroça com a Ana dos Cabelos Ruivos. Sorrir como se entrasse no Jardim Secreto. Sorrir como se tivesse um cavalinho azul e uma amiga com cabelo cor-de-rosa. Sorrir como se fosse um habitante da Floresta Verde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes apetece-me olhar para as coisas e sorrir. E com isso... esquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2007 ou 2008...algures por aí...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-4149302758629650385?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/4149302758629650385/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=4149302758629650385&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/4149302758629650385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/4149302758629650385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2009/03/lembrancas.html' title='Lembranças...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-7087739152637639214</id><published>2009-02-26T23:41:00.005Z</published><updated>2009-02-27T00:07:23.027Z</updated><title type='text'>Reencontro</title><content type='html'>Caí outra vez na armadilha das gavetas fechadas. E foi a custo que consegui escapar. Mas valeu a pena. Hoje confirmei que lá dentro não há um eu. Há muitos eus. Imensos eus. Espalhados por incontáveis pedacinhos de papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Ainda para mais datados e assinados. Ainda para mais cheios de uma confiança juvenil e incontrolavelmente cheia de si. Arrogante e arrebatadora. Ainda para mais repletos de esperanças e de sonhos. Ou de desilusões e de sombras mais negras que a noite. Nos meus eus não há meio-termo. Ou branco ou negro. Ou vida ou morte. Ou sim ou não. Ou alegria extasiante ou tristeza sepulcral.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São outros reflexos de mim, diferentes destes. São outros pedaços em que me rasguei. Fragmentos que não lancei ao vento. Talvez num outro dia, quando tudo fizer mais sentido. De qualquer forma, alegria. A sensação de que, por trás de todas as letras de todos os meus eus, reside um fundo igual. Constante e imutável. Como se houvesse uma impressão digital por entre as linhas, uma marca de água nas folhas de papel. Talvez, afinal, eu nunca me tenha perdido de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto sim, é uma boa notícia!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-7087739152637639214?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/7087739152637639214/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=7087739152637639214&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/7087739152637639214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/7087739152637639214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2009/02/reencontro.html' title='Reencontro'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-454747433368336100</id><published>2009-02-19T23:06:00.005Z</published><updated>2009-02-19T23:30:34.450Z</updated><title type='text'>Raio de luz</title><content type='html'>No outro dia. No comboio. O desespero apoderou-se de mim. Esse mesmo, o verdadeiro Desespero. O desespero que só consigo comparar à ideia que tenho de um buraco negro de onde nada pode escapar. Nem mesmo a luz. Nem mesmo, portanto, qualquer luz interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa altura senti-me a desistir. Cheguei a ter vontade de. De uma vez por todas. Desistir completamente. Só não me caíram as lágrimas por vergonha. Estava em pé perto da porta. Não sei porque encostei a testa ao vidro. Talvez porque quisesse sentir na fronte a realidade dura do vidro. Talvez porque quisesse deixar cair uma parte de mim contra algo. Talvez porque quisesse encostar apenas a testa ao vidro. Não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que nessa altura. Enquanto a estação se aproximava rapidamente. Uma menina, com a sua mãe, colocou-se ao meu lado. Virou o rosto para o meu rosto virado para o vazio. Agora já uns milímetros afastado do vidro, mas observando a escuridão total do lado de fora do comboio. Igual à escuridão do lado de dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E disse-me. Juro por Deus! "Boa tarde".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O buraco negro rasgou-se. Virei-me para ela. Ela sorria, ainda com o resto das palavras nos lábios. Respondi-lhe "Boa tarde". Ainda meio surpreso de tudo. Ainda atordoado por ter escapado às garras do Desespero. Ainda incrédulo com a inverosimilidade - ou com a miraculosidade - da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí do comboio atrás da menina e da sua mãe. Ultrapassei-as. Segui em frente. Sorri. A luz toda a pulsar dentro de mim. A força daquele sorriso e daquele "Boa tarde" a serem o combustível das minhas pernas, do meu coração. Olhei para trás duas vezes. A menina parada com a mãe a ajeitar-lhe algo no corpo. Um casaco, creio. Não interessa. Paradas. Sem uma palavra. Apenas gestos na distância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando olhei a terceira vez tinham desaparecido. Apenas a imagem daquele raio de luz na escuridão ficará para sempre comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Boa tarde".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E juro que já era de noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Ontem. Por volta das 19.00. A chegar à Portela]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-454747433368336100?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/454747433368336100/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=454747433368336100&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/454747433368336100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/454747433368336100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2009/02/raio-de-luz.html' title='Raio de luz'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-5645908439944297805</id><published>2009-02-09T08:05:00.004Z</published><updated>2009-02-09T08:32:30.713Z</updated><title type='text'>Branco</title><content type='html'>Perguntaram-me, com os olhos muito abertos, se me queixava de alguma coisa. Com os olhos muito abertos, como se as escleróticas assim expostas me explicassem o sentido da pergunta. O que implica que eu percebesse o que são queixas e o que não são queixas. Não sei se consigo. Por isso silêncio. E os meus olhos sem escleróticas a mais. Com a expressão neutra de quem olha através de tudo na procura de uma imagem de felicidade. Como procurando raspar a tinta das coisas, dos dias, das pessoas. Até vislumbrar a armação nua das horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As queixas, em si mesmas, são inúteis. Subjectivas como dias agradáveis ou desagradáveis. Ainda que eu me despedaçasse por dentro, que toda a minha alma se corrompesse de caruncho, comida pela cólera do vazio. Ainda que eu estivesse a um passo do abismo. Melhor, ainda que o abismo todo estivesse dentro de mim e não houvesse já qualquer passo a dar. Mesmo nessa situação eu poderia abster-me de me queixar. De levantar a mão na fila da vida (talvez arregalando os olhos até a pupila parecer um  berlinde numa nuvem branca) e gritar bem alto: Eu quero fazer uma queixa! Porque sofrer é algo. Considerar um motivo válido para erguer a voz e soprar esta dor nos ouvidos transeuntes é uma coisa totalmente diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Não me queixo de nada. A noite correu como qualquer outra e não preciso de coisa alguma. Só de silêncio e de uma janela aberta que dê para um pomar em flor. Sem isso tudo são queixas e é precisamente por isso que nada são queixas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais me custa é o branco. Das pessoas e dos dias que se arrastam em direcção a um outro sonho. O branco estéril das folhas de papel, das seringas, das batas, das luvas, das toalhas, dos lençóis. O branco todo nas escleróticas abertas com muita força até eu compreender que é impossível seguir todas as manhãs a negação absoluta das queixas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espantosa, no entanto, é a evidência de que as horas passam. Que o sangue espesso dos dias, das tardes, das noites e das madrugadas. Que todo este sangue viscoso flui. No meu olhar há sempre o mesmo instante, completo e eterno, imune a horas do dia ou da noite. Imune a frio ou calor, suspenso numa lucidez cortante, que nenhuma escuridão ousa vencer. E, apesar de tudo, o mundo gira uma vez por dia. E há sempre pássaros ao longe, nos galhos da árvore grande que adivinho à distância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei como vim aqui parar, ou como o meu corpo (hoje nau encalhada, com rombos no casco e abandonada na praia do tempo) se derreteu nestes ossos e nestas peles sem futuro. Mas mais triste ainda, sem passado. Sem passado porque nas memórias cheias de cores (onde o branco era só das nuvens e das roupas acabadas de lavar no tanque, penduradas na corda debaixo do coberto) e de prados com flores. Nestas memórias mora um corpo diferente, são e forte como um touro à solta pelos campos. E hoje... Que a arena implacável ferve. Fere. Em golpes de bandarilhas desferidos em todos os ossos (Em todos os tendões. Em todas as articulações. Em todos os músculos. Em todos os dentros). Hoje, antes do meu olhar se tornar turvo. Antes que se reflicta nele a luz baça da última hora e o branco me apague o brilho das pupilas, as pupilas, o corpo todo. Hoje, antes de tudo isso, o meu corpo mutilado e turturado é uma mentira que me recuso a compreender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso,  amanhã de manhã, quando me perguntarem com os olhos muito abertos, se me queixo de alguma coisa. Depois dos meus olhos neutros e do meu silêncio. Vou dizer que não, fechar os olhos e adormecer encostado ao tronco rugoso da árvore grande do pomar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[19/10/2006... Escrito numa página de Diário Clínico, no comboio para casa... Deve ser tão triste ser um dos doentes nas camas dos hospitais, pelas manhãs...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-5645908439944297805?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/5645908439944297805/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=5645908439944297805&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/5645908439944297805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/5645908439944297805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2009/02/branco.html' title='Branco'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-9062660294157809321</id><published>2009-02-07T07:12:00.003Z</published><updated>2009-02-07T07:21:51.824Z</updated><title type='text'>Areal</title><content type='html'>O dedo do teu pé a rasgar na mansidão do areal sulcos vivos. A escrever vales no meio de montanhas. A formar cordilheiras de areia tornadas letras. O dedo do teu pé. Que é o sacho de um lavrador qualquer num final de tarde. Que é o sacho do meu avô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou a sachola pequena com que eu o imitava. E que o fazia sorrir como se o tempo parasse e existíssemos só nós na horta ao entardecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dedo do teu pé que. Dizia. É um sacho a abrir na terra carreiros firmes. É um sacho a profetizar um bom ano e uma boa colheita. É um sacho a jurar jantares por vir e o fumo da chaminé em noites de Inverno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dedo do teu pé a rasgar na mansidão do areal sulcos vivos. Sacho a fertilizar a terra. A vida. De sementes de amor e dias felizes. Onde. Num deles. Eu de sachola na mão a escrever AMO-TE no fundo da horta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[17/11/2005]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-9062660294157809321?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/9062660294157809321/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=9062660294157809321&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/9062660294157809321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/9062660294157809321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2009/02/areal.html' title='Areal'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-9076780417687294968</id><published>2009-02-07T07:06:00.002Z</published><updated>2009-02-07T07:08:40.832Z</updated><title type='text'>Onde estás?</title><content type='html'>Onde estás? - Gritei. Mas a noite engoliu as minhas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Há tempos...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-9076780417687294968?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/9076780417687294968/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=9076780417687294968&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/9076780417687294968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/9076780417687294968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2009/02/onde-estas_07.html' title='Onde estás?'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-8870660651701004560</id><published>2009-02-03T05:27:00.005Z</published><updated>2009-03-06T00:00:05.470Z</updated><title type='text'>Sentinelas</title><content type='html'>Acabou o tempo e semeámos rosas da palma das mãos. Por cima de nós os restos de um dia que se punha. Ao longe. No horizonte de montes sobrepostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                     [Os montes mágicos. Soprados por uma ténue aragem de fim de tarde de Verão. Com árvores dispersas e espaço para sonhar entre elas. Os montes que eram promessas adiadas. Que apeteciam tanto como uma guloseima guardada no bolso da camisa. E o prazer de não a comer. De a ter guardada. A fazer aumentar. Segundo a segundo. Minuto a minuto. Hora a hora. A deliciosa expectativa do momento por vir. Do desembrulhar crepitante do papel de embrulho. Mais intenso. Mais nítido. Do sabor todo na ponta da língua. Na língua toda. Não só o corpo, mas a alma também, a saborearem mais que a guloseima. A saborearem a vida. Assim apeteciam os montes.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois das mãos vazias. Do dever cumprido. O ar tornou-se mais pesado. Com cheiro a noite sem luar. Na mesma altura começou a lenta melodia dos sinos da igreja. Grave. Soturna. Compassada. Como pancadas ameaçadoras na soleira da alma. Como medos vertendo-se para dentro das gentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                   [ O ruído tenebroso dos sinos. A lembrar-nos da nossa mortalidade. A maneira como ecoa no negro. No silêncio da noite. Como cada badalada carrega todas as coisas sérias. E reais. E inevitáveis. Da vida. E como. Cada intervalo de silêncio entre elas. Dura eras. Eras cheias de tudo o que não cabe fora delas. Memórias dos que se foram. Sorrisos da pessoa amada. O calor do Sol a bater no rosto numa qualquer tarde de Primavera. O cantar dos pássaros na distância. O suor a escorrer da testa. A cair na terra acabada de sachar. O som do vento entre as folhas das árvores. O recreio da escola. A gritaria dos colegas. O ruído dos grilos. E depois outra badalada imperturbável. Convicta. A impregnar o ar de arrepios na espinha. E isto repetido. Uma vez. Duas vezes. Muitas vezes. Até tudo cessar em silêncio.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então fechámos os olhos. De-mo-nos as mãos. Sorrimos ao de leve. E. Calmamente. Caminhámos de encontro a um novo amanhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2008...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-8870660651701004560?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/8870660651701004560/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=8870660651701004560&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/8870660651701004560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/8870660651701004560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2009/02/sentinelas.html' title='Sentinelas'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-7645865302430933175</id><published>2009-02-03T03:22:00.003Z</published><updated>2009-02-03T05:39:59.276Z</updated><title type='text'>As palavras foram</title><content type='html'>As palavras foram sortes jogadas na noite&lt;br /&gt;Sementes de ódio e amor,&lt;br /&gt;Sem as quais nada faria sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas estavam prenhas de nós,&lt;br /&gt;Dos nossos medos e dos nossos sonhos.&lt;br /&gt;Foram palavras de sangue,&lt;br /&gt;Vociferadas contra o vento.&lt;br /&gt;Foram faróis que feriram e fendiram o vazio.&lt;br /&gt;Foram facas de gume afiado&lt;br /&gt;Apertadas contra as goelas do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram sóis.&lt;br /&gt;Foram fogueiras acesas no breu,&lt;br /&gt;Onde procurámos aquecer-nos da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras foram bombas explodindo da boca&lt;br /&gt;E estilhaços de granadas no coração.&lt;br /&gt;Mas também flores.&lt;br /&gt;E delírios de pássaros doutros tempos.&lt;br /&gt;Doutras eras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras foram silvas e urtigas,&lt;br /&gt;Rasgando a pele de tudo.&lt;br /&gt;Foram saraiva contra o rosto,&lt;br /&gt;Granizo nos dentes. Trovoes nos tímpanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras.&lt;br /&gt;Foram.&lt;br /&gt;E não mais as soubemos encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2008]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-7645865302430933175?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/7645865302430933175/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=7645865302430933175&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/7645865302430933175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/7645865302430933175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2009/02/as-palavras-foram.html' title='As palavras foram'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-2717945489371969783</id><published>2009-01-27T16:05:00.001Z</published><updated>2009-01-27T16:20:05.545Z</updated><title type='text'>O voo</title><content type='html'>Fui à janela e nada. Ninguém do outro lado do vidro. A rua, talvez não rua mas algo, sem ninguém. Apenas a silhueta ténue de uma árvore através da espessura do ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri a janela e voei. Ou caí. Talvez tenha caído pensando que voava. Ou talvez voasse pensando em cair. De qualquer das maneiras soltei-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri a janela e de repente o meu corpo todo a viajar. Para longe da janela. E dos medos sem nome escondidos à espreita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto durou uns segundos. Depois a janela abriu os braços e puxou-me para dentro. Para trás dos vidros fechados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sozinho num novo amanhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2007. Talvez....]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-2717945489371969783?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/2717945489371969783/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=2717945489371969783&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/2717945489371969783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/2717945489371969783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2009/01/o-voo.html' title='O voo'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-726656571157967739</id><published>2009-01-19T04:05:00.004Z</published><updated>2009-01-19T04:11:46.037Z</updated><title type='text'>Compasso de três tempos</title><content type='html'>A sereia. A vida. A dor dos caminhos de terra batida... A colmeia. A tortura. A clausura de não saber rir... A mão. A solidão. A tremura dos dias vazios... A máscara. A lágrima. A imensidão do mar longínquo...A sentinela. A baioneta. A força dura do aço na pele... A líbido. A raiva. A magia surda dos corpos... A dor. A serpentina. A explosão do Sol na cara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A areia. A arena. A queimadura de viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[4/12/2009 - Escrito sem reticências nem espaços. Mas, na mente, tripartido. Aqui, pareceu melhor...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-726656571157967739?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/726656571157967739/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=726656571157967739&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/726656571157967739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/726656571157967739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2009/01/compasso-de-trs-tempos.html' title='Compasso de três tempos'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-1160692758685689072</id><published>2008-12-31T14:43:00.002Z</published><updated>2008-12-31T15:06:57.660Z</updated><title type='text'>A Revolução vai ter de esperar</title><content type='html'>Acabou o ano. Bem, talvez ainda não tenha acabado. Mas é como se tivesse acabado. Faltam poucas horas. Aqui em Portugal, claro. Noutros locais o ano já acabou.&lt;br /&gt;Por isso, digamos que acabou o ano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que ano este. O ano mais pequeno de que me lembro. Não me importa que tenha mais um segundo. Para mim, este foi o ano mais pequeno da minha vida. Um ano pequeno que é como quem diz um ano vazio. E aqui uma pequena curiosidade. Dizem que quando se faz o que se gosta, o tempo voa. E que, quando se faz o que se não gosta, ele abranda, tropeça, quase cai, quase pára. Pois bem, este ano nem foi cheio e pequeno, nem vazio e grande. Foi, assim mesmo, pequeno e vazio. Quase uma impossibilidade. Quase uma nulidade. Quase um pequeno absurdo temporal. Um lapso. Um algo-que-não-existiu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego ao fim do ano muito relutantemente. Com dificuldade em aceitar que, dentro de horas, serei obrigado a festejar outro ano. Carrego a ideia de que 2008 ainda mal começou. Lembro-me claramente das promessas que fiz no primeiro dia de 2008. Lembro-me da esperança. Custa-me admitir que não se passou nada como eu previa. Que a esperança, em que acreditei firmemente (e aqui reside a desilusão, pois há muitas esperanças em que não creio... mas nesta cri muito), morre hoje à noite. Pois a esperança tinha uma delimitação temporal. 2008 ia ser um ano em cheio, um ano em grande! E... vejam... até agora não foi senão um ano em vazio, um ano em pequeno. Falta-me o cinismo nestas últimas horas do ano. O cinismo necessário para que, dentro de horas, renove votos e, com isso, desenterre outra esperança do fundo da alma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra esperança para ocupar o lugar da falecida no segundo anterior. A nova esperança de 2009, tão igual à do 2008, que passou sem eu lhe ter posto a vista em cima. A nova esperança de 2009 a substituir a velha esperança de 2008, ainda viva subrepticiamente até ao ...0... da contagem decrescente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falta-me o cinismo para sorrir perante a hora-notícia de que me menti. Falta-me coragem para sorrir perante o minuto-notícia de que mais um ano findou e eu não empecei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falta-me lata para sorrir perante o segundo-notícia de que 366 dias e 1 segundo passaram sem que eu me erguesse do cadeirão da mente e começasse a revolução.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-1160692758685689072?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/1160692758685689072/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=1160692758685689072&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/1160692758685689072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/1160692758685689072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2008/12/revoluo-vai-ter-de-esperar.html' title='A Revolução vai ter de esperar'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-2835029680445612823</id><published>2008-10-16T01:13:00.004+01:00</published><updated>2008-10-16T01:29:23.321+01:00</updated><title type='text'>Os dias movediços</title><content type='html'>Uff... há dias que atravessamos como se estivéssemos perdidos num bosque muito escuro e cheio de perigos. Um bosque claustrofóbico, onde cada sombra nos quer agarrar pelos tornozelos e impedir de chegar a casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; ( A casa de pedra, com o fumo bom a sair pela chaminé e com raios de luz a escoarem-se pelas frestas da porta e das janelas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje foi assim. Parecia correr, como nos sonhos, mas não saía do lugar. Parecia olhar para baixo, a cada momento, para me ver descalço, ou de chinelos, ou de pijama. Parecia tentar chegar a algum lado. Mas, a cada movimento, parecia afundar-me mais nas areias movediças do dia. Do dia movediço em que acordei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que há três tipos de dias, quando chegamos a casa. Os dias em que nos sentamos no sofá. Os dias em que tombamos sobre o sofá. E os dias movediços, em que caímos aos pés do sofá e rastejamos uns centímetros, de joelhos, para podermos pousar a cabeça sobre o assento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(E, assim, desistirmos um pouco mais.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-2835029680445612823?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/2835029680445612823/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=2835029680445612823&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/2835029680445612823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/2835029680445612823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2008/10/os-dias-movedios.html' title='Os dias movediços'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-9052846419607827014</id><published>2008-10-04T05:04:00.002+01:00</published><updated>2008-10-04T06:07:54.876+01:00</updated><title type='text'>Feitiçaria</title><content type='html'>Os dedos em cima do teclado, como num piano. Tensos. Prontos a disparar por sobre a maciez das teclas. O premir abafado e seco. Agradável. Quase aconchegante. Um ritmo que nos embala. Até parecer que os dedos se mexem sozinhos. Com vontade própria e sem que nós os possamos impedir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta altura as palvras parecem surgir do vazio em nosso redor. As mãos são redes de pesca. Desfocamos o olhar e são mesmo. Dançam mecanicamente. Dançam freneticamente. Dançam harmoniosamente. Como redes de pesca erguidas. Lançadas. Recolhidas. Na madrugada duma traineira ao luar. As palavras, peixes voláteis e milagrosos, caem das redes quando estas beijam o convés. E então são, por instantes, nossas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras vezes é magia pura. As mãos agitam-se muito depressa. Tanto que os olhos nos mentem. E vemos os dedos multiplicarem-se num enorme rasto de luz. É nessa altura que. Da ponta dos dedos. Nos caem os pós de perlimpimpim. Então, deixamos de tocar o teclado. Levitamos por cima dele. E os pós de perlimpimpim rodopiam numa espiral que ergue as letras ao ar. Bem alto. Bem alto. E as deixa cair (Que assombro!)abraçadas, em forma de palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há ainda ocasiões em que as mãos são duas aranhas gigantes. Sim, é isso que elas são! Olhem para elas! Aranhas sagradas e sem descanso, tecendo uma teia de sonhos. Uma filigrana quase invisível de letras. De palavras em branco-pérola. Oiçam o seu roçagar. A sinfonia que advém da sua azáfama. Rendilhada e cheia de vida. Mística e libertadora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-9052846419607827014?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/9052846419607827014/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=9052846419607827014&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/9052846419607827014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/9052846419607827014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2008/10/feitiaria.html' title='Feitiçaria'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-6996330486575751048</id><published>2008-07-26T04:29:00.001+01:00</published><updated>2008-07-26T04:31:39.087+01:00</updated><title type='text'>Cansaço.</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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  &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 2"&gt; 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 &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"Cambria Math"; 	panose-1:0 0 0 0 0 0 0 0 0 0; 	mso-font-charset:1; 	mso-generic-font-family:roman; 	mso-font-format:other; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:0 0 0 0 0 0;} @font-face 	{font-family:Calibri; 	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:swiss; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-unhide:no; 	mso-style-qformat:yes; 	mso-style-parent:""; 	margin-top:0cm; 	margin-right:0cm; 	margin-bottom:10.0pt; 	margin-left:0cm; 	line-height:115%; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:11.0pt; 	font-family:"Calibri","sans-serif"; 	mso-ascii-font-family:Calibri; 	mso-ascii-theme-font:minor-latin; 	mso-fareast-font-family:Calibri; 	mso-fareast-theme-font:minor-latin; 	mso-hansi-font-family:Calibri; 	mso-hansi-theme-font:minor-latin; 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De repente. Cansei-me. Sem que nada o indiciasse. Nada de que eu me apercebesse, claro está. Ninguém me garante que, no fundo do meu inconsciente, as rodas do mecanismo não estivessem já em movimento. A rodar em surdina. Activando silenciosamente toda a engrenagem. Todas as sinapses por sentir. Que conduziram a isto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Um dia, de repente, cansei-me. Cansei-me de tanta coisa de que nunca me cansara antes. Cansei-me de tanta coisa que sempre me dera prazer e alegria. Cansei-me mesmo. Receio não saber explicar bem o que se passou. A verdade é que olho para trás na linha do tempo e vejo dois momentos adjacentes. No primeiro, tudo estava calmo. Eu e as minhas rotinas todas. Eu e o meu sossego despreocupado. No momento imediatamente seguinte, cansei-me. E fiquei mais livre das rotinas. Que, às vezes, vejo-o agora, pesavam como se fizessem parte de mim. Como se fossem apêndices muito pesados e grandes e disformes. Como um braço extra, com uns 2 metros de comprimento. Ou uma perna de chumbo a sair do fundo das costas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Cansei-me um dia. De repente. E desde esse momento sou mais eu. E nunca mais precisei de descansar.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-6996330486575751048?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/6996330486575751048/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=6996330486575751048&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/6996330486575751048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/6996330486575751048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2008/07/cansao.html' title='Cansaço.'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-1062784572015076225</id><published>2008-07-11T05:48:00.003+01:00</published><updated>2008-07-11T06:20:59.648+01:00</updated><title type='text'>As gavetas do quarto...</title><content type='html'>Abri outra vez uma das gavetas. Uma das muitas espalhadas pelo quarto. Tantas que o quarto parece existir para que elas o encham. Abri uma das gavetas e tudo recomeçou. Mais uma vez o vórtex  (Gosto da palavra vórtex. Será que deveria escrever vórtice? Não me interessa. Vórtex.) aspirou-me para outros tempos. Outros dias. Outros eus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais uma vez fui a Alice a cair pela toca abaixo. E à frente dos meus olhos incrédulos desenrolaram-se imagens do passado. Imagens em papel timbrado. E por timbrar. Palavras e mais palavras. Frases completas vindas do silêncio sepulcral de cartas e postais. E mais cartas. E mais postais. Frases de amor e de dor. Palavras meigas. Palavras duras. Palavras afiadas como facas no peito. Palavras moles a desfazerem-se na ponta da língua. E mais postais de todas as cores. Paisagens que nunca visitei. Envelopes brancos com rebordo azul. Envelopes brancos. Vermelhos. Outros com laivos de cor-de-rosa. Envelopes castanhos em papel reciclado. Letras por todo o lado. De todos os tipos. Azuis e pretas. Vermelhas. Cor-de-rosa ou de outra flor qualquer. Letras redondas. Letras esguias. Letras tombadas ora para um lado ora para outro. Letras cheias de vida. De vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi como se se levantasse dentro do peito uma tempestade. Um furacão que varre qualquer coisa por dentro da alma. E deixa tudo meio vazio. Meio triste. Meio incompleto. Meio sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num ápice, no entanto, tudo acabou. Não caí no fundo da toca. Ou da gaveta. Apanhei simplesmente o passado. Os passados. Do meio do chão para onde haviam caído e por onde se haviam espalhado. E guardei-os bem no fundo da gaveta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois fechei-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui fiquei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Hoje]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-1062784572015076225?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/1062784572015076225/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=1062784572015076225&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/1062784572015076225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/1062784572015076225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2008/07/as-gavetas-do-quarto.html' title='As gavetas do quarto...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-1618627706100807688</id><published>2008-04-29T06:50:00.001+01:00</published><updated>2008-04-29T06:52:12.884+01:00</updated><title type='text'>O limbo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Passaram já muitos dias desde que tudo ficou na mesma. Muitos dias desde que o mesmo dia se arrasta à espera de uma noite e de uma madrugada. Passaram já muitas horas, fechadas dentro de si mesmas como se nada brilhasse por fora delas. E passaram os minutos e os segundos loucos. Loucos e iguais. Iguais e cinzentos. Cinzentos e cor de chuva. Ou de pó. Ou será o cheiro? De qualquer modo, passou tudo. Ou terá passado nada? Não sei. Não me recordo. O dia não acaba. Não passa. Não cessa. E por dentro tudo falece. Aos poucos. Como numa sinfonia ao longe, à beira da falésia. Lenta como só as sinfonias lentas. (E ainda mais. Como se os sons não fossem sons, mas fotografias de sons espalhadas pelo céu azul-quase-noite.) Lenta como o repicar dos sinos na igreja de um dia. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fora isso nada. Como nada? Nada. Uma manhã-tarde que não se despe na noite. Uma luz fosca. Dúbia. Inerte. Que tudo mirra. Que tudo proíbe. Um limbo onde nada cessa. Onde nada principia. Como um calvário à luz gasta de um sol-que-nunca-se-põe.&lt;/p&gt;  [Agora mesmo... :)]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-1618627706100807688?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/1618627706100807688/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=1618627706100807688&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/1618627706100807688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/1618627706100807688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2008/04/o-limbo.html' title='O limbo'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-5108897187226012917</id><published>2008-04-08T20:51:00.003+01:00</published><updated>2008-04-08T21:10:18.683+01:00</updated><title type='text'>A praça...</title><content type='html'>Há um rumor no silêncio dos dias que me faz pensar em ti. Recordar-te entre os atropelos do metro, em plena correria da vida quotidiana. Há qualquer coisa de ti, ainda, aqui, agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O perfume de rosa que emanava de todos os poros do teu corpo, o teu cabelo brilhando ao Sol, a agilidade felina da tua pele, os teus passos decididos, firmes, temerários, que foram feitos para governar o mundo, neste ou noutro tempo qualquer. Fecho os olhos e lá estás tu, a percorrer a praça pela manhã, o vestido ondulando ao vento, a terra batida a esvoaçar em redor, o ritmo mecânico do bater dos saltos no empedrado. Eu estava ao fundo, no banco de jardim que ficava debaixo do plátano centenário, donde se via todo o largo principal. Ao fundo, dominante, a velha igreja, com o catavento corroído mais pelo passar dos dias do que pela chuva, que nesses anos era pouca, em cuja escadaria mendigos proliferavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos lados, as antigas casas senhoriais, transformadas com o decorrer do tempo e o declínio das fortunas individuais, em mercearias, tabernas e retrosarias. Havia ainda o edifício dos correios, do lado esquerdo da igreja e, no meio da praça, a estátua de um combatente sem nome, sem pátria, sem medo e até sem cabeça, desde há décadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era domingo de manhã, à hora de saída da missa, não havia os vendedores ambulantes de sempre, não havia o apregoar constante, o buliço infernal dos dias de semana. O sino dava as dez badaladas e então começava o parto prolongado das portas da catedral, os mais apressados primeiro, estugando o passo até desaparecerem na esquina mais próxima, ainda de chapéu na mão e já desabotoando o casaco, demasiado quente para qualquer dia do ano. Vinha depois o pelotão de gente, heterogéneo e informe, que descia as escadinhas da igreja e se espalhava pela praça como um enxame de abelhas ao qual se roubou a colmeia. Por fim, começava o longo desfile dos mais demorados, dos que se delongavam mais em frente deste ou daquele altar, das beatas que vinham de se confessar, dos que tinham adormecido a meio da função.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu vinhas com o grosso da multidão, mas lembro-te hoje como se viesses sozinha, destapando o véu aos primeiros degraus, dando esmola ao mendigo que te parecesse menos merecedor, brilhando na multidão sem rosto e sem nome como uma pérola num barril de petróleo.&lt;br /&gt;Seguia então os teus passos, a graça do teu corpo a serpentear por entre as linhas austeras e antiquadas da praça, a serenidade insolente do teu porte, o olhar altivo e imperial.&lt;br /&gt;E os teus passos silenciavam todos os ruídos em teu redor. Cessava o rumor incoerente das pessoas da praça, o silvo do vento por entre os ramos da árvore, o trotar dos cavalos, ao longe, numa rua da periferia da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo-te agora tão nítida como então. Vislumbro o teu vestido a ondular no meio da multidão que sai do metropolitano, capto um relance do teu rosto da janela suja do comboio, volto-me para trás nas ruas aturdidas da cidade depois de ouvir os teus passos seguros, confiantes, vivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vertigem do tempo é uma espiral que me atrai para ti, para a alegria imemorial de te ver bela e jovem e fresca, como nessas tardes de Primavera primordiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2004... nada de especial]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-5108897187226012917?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/5108897187226012917/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=5108897187226012917&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/5108897187226012917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/5108897187226012917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2008/04/praa.html' title='A praça...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-4906288170886932400</id><published>2008-01-29T16:08:00.000Z</published><updated>2008-01-29T16:17:06.953Z</updated><title type='text'>Magoito</title><content type='html'>Era frio. Fim de um Setembro dorminhoco. A tarde caía sobre o mar reflectida nas falésias. No ar a promessa de uma noite estrelada. Café. Esplanada do café com vista para o fim de tarde. As tuas pernas cruzadas. O café meio vazio. O mil folhas meio comido. Qualquer coisa nos teus olhos dizia adeus, mas eu não sabia o que era. As rugas-bebés em torno dos teus lábios. Dos teus olhos. As tuas mãos esquecidas entre a mesa e o vazio. No ar uma gaivota igual às outras. E o guinchos iguais aos guinchos de outros dias. Mesmo assim a tua boca mais comprimida do que o normal. Uma certa inquietude nas pupilas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois. A tua mão a afastar um pouco o cabelo dos olhos. Um leve inclinar de cabeça para trás. Um pestanejar rápido numa inspiração prolongada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          - Não dá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( O arrastar da cadeira que não ouvi. O teu lugar vazio. O café meio cheio. O mil folhas meio intacto. A nossa conversa meio acabada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na boca o sal. Igual ao das ondas lá em baixo. )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-4906288170886932400?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/4906288170886932400/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=4906288170886932400&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/4906288170886932400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/4906288170886932400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2008/01/magoito.html' title='Magoito'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-3634650687492892654</id><published>2008-01-28T21:14:00.000Z</published><updated>2008-01-28T21:51:48.808Z</updated><title type='text'>Cegueira</title><content type='html'>Ultimamente. A dificuldade grande. Anteriormente desconhecida em mim. De descobrir os lugares secretos nas coisas. De conseguir encontrar. Por detrás das fachadas de tudo. Os recantos mágicos que nos fazem sorrir. Que salpicam de vida. E de luz. Até os dias mais escuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabem do que falo. Daquela sensação de calor que nos invade por dentro. Quando vislumbramos o cantinho em que cada pessoa se esconde do mundo. O cantinho que tenta a todo o custo proteger da vista de estranhos. O calor que nos invade quando sentimos a pura beleza desse santuário. A alegria contida. Reservada. Profunda. Que sentimos por descobrir. No meio do que até então era alguém. Um ser humano. Como nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou apenas a felicidade menos metafórica de descobrir. Fisicamente. No meio dos locais sujos e degradados onde somos forçados a viver. Um recanto bonito. Apenas isso. Bonito. Sem mais adjectivos ou figuras de estilo. É difícil achar a beleza nos dias que correm. Pelo menos para mim tem-no sido ultimamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais nada. Apenas isto. A dificuldade que dantes não sentia. De descobrir os lugares secretos nas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   ( Às vezes não sei se são os olhos. Se estão gastos. Se estão habituados a todas as emoções, a todas as alegrias e a todas as tristezas que este mundo tem para oferecer. Outras vezes penso que o problema  está noutro local. Uns dirão que no coração.Outros dirão que no cérebro. Ao certo só sei que já poucas coisas me fazem sorrir, como faziam. Até o espanto se me está a tornar, de dia para dia, um sentimento estranho. Às vezes penso nos peixes. E nos outros animais, mas principalmente nos peixes. Diz-se que têm uma memória de curtíssima duração. Que nem lhes permite ter a noção de que estão dentro de um aquário. Eu, se estivesse preso num local para toda a vida. Também gostaria de ter essa vantagem evolutiva... para não enlouquecer de vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...ei... percebem a ironia? ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ano, no Carnaval, vou de peixe!)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-3634650687492892654?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/3634650687492892654/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=3634650687492892654&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/3634650687492892654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/3634650687492892654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2008/01/cegueira.html' title='Cegueira'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-8888979341668144079</id><published>2007-12-03T01:29:00.000Z</published><updated>2007-12-03T01:39:24.775Z</updated><title type='text'>Dias curtos</title><content type='html'>Está escuro e vazio aqui. Está silêncio. Está solidão. Está um aperto qualquer a esmagar um algo dentro de mim (eu todo?). Está frio. Não disse já tantas vezes isto? Que está frio por dentro. Mesmo que por fora não esteja. Mesmo que haja Sol e sombras frescas ao longo de uma vinha cerrada. Pois digo-o de novo. Está frio. E já que estamos nisto, digo que está escuro também. E vazio. Já que recaí na tentação das vírgulas, tanto me dá que me repita em palavras. O que eu queria era algo novo. A panaceia, não o placebo. Estou farto de placebos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ultimamente tenho estado diferente. Tenho sido diferente. Há qualquer coisa cá dentro que não pára de me angustiar. Eu sei o que é, mas não digo. Chamo-lhe "coisa", para não lhe chamar pelo nome. Apenas nomeá-la me entristece e, quase, me ensandece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vale a pena mais isto. Por hoje, terá de bastar a convicção de que está solidão, dentro de um frio escuro e vazio. Com um silêncio que esmaga tudo, como melodia de fundo. Para quando (se alguma vez de novo...) os dias grandes de Verão?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-8888979341668144079?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/8888979341668144079/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=8888979341668144079&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/8888979341668144079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/8888979341668144079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2007/12/dias-curtos.html' title='Dias curtos'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-2904837008760103405</id><published>2007-11-29T01:52:00.000Z</published><updated>2007-11-29T02:01:26.445Z</updated><title type='text'>Preconceito</title><content type='html'>É incrível. A quantidade de vezes em que não vemos as coisas como elas realmente são. A quantidade de vezes em que olhamos e pensamos que toda a verdade está no que vemos. A quantidade de vezes em que conceitos pré-formados nos turvam os olhos e nos impedem de ouvir o bater do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(E até pensamos que não. E até pensamos que não somos assim. E até sabemos recriminar e apontar o dedo a todos os que fazem o mesmo. E até nos julgamos diferentes. )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É incrível. A maneira sub-reptícia e dissimulada como trazemos nevoeiro nos olhos e almofadas no coração. Que não nos deixam ver. Nem sentir. A verdade que vive. Vive! Nas coisas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-2904837008760103405?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/2904837008760103405/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=2904837008760103405&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/2904837008760103405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/2904837008760103405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2007/11/preconceito.html' title='Preconceito'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-166994694468774861</id><published>2007-10-26T05:04:00.000+01:00</published><updated>2007-10-26T05:08:36.099+01:00</updated><title type='text'>Ninja</title><content type='html'>Tenho mil folhas rasgadas em cadernos na alma. Outras tantas escritas por todo o lado. Sou escritor-furtivo. Ataco em qualquer sítio, a qualquer hora. Ninguém me vê ou conhece como é a tinta das minhas canetas num papel timbrado. Ninguém adivinha os dentros por escrever que germinam em mim como ervas daninhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou ninja. Das palavras. Não faço sons. Ninguém me ouve quando passo pelas folhas como comboio sem destino. Ou com um. Lá muito ao longe. Quando me faltar a força na ponta dos dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2005]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-166994694468774861?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/166994694468774861/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=166994694468774861&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/166994694468774861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/166994694468774861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2007/10/ninja.html' title='Ninja'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-1300005098400555186</id><published>2007-10-26T04:46:00.000+01:00</published><updated>2007-10-26T04:56:06.688+01:00</updated><title type='text'>Insónias</title><content type='html'>De vez em quando as insónias agarram-me como se elas próprias tentassem dormir e não conseguissem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Ha muito, muito tempo...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-1300005098400555186?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/1300005098400555186/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=1300005098400555186&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/1300005098400555186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/1300005098400555186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2007/10/insnias.html' title='Insónias'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-2699345300776856773</id><published>2007-10-02T03:42:00.000+01:00</published><updated>2007-10-02T03:44:28.798+01:00</updated><title type='text'>Calor</title><content type='html'>Searas dos dias.&lt;br /&gt;O tempo seco e abrasador&lt;br /&gt;das palavras inúteis.&lt;br /&gt;Árvores sem sombra.&lt;br /&gt;Fantasmas esquecidos e sedentos.&lt;br /&gt;A distância mentirosa.&lt;br /&gt;O bailado de morte das horas.&lt;br /&gt;Por todo o lado a certeza.&lt;br /&gt;A certeza que corta fundo&lt;br /&gt;na pele árida.&lt;br /&gt;De que amanhã é só uma&lt;br /&gt;palavra poeirenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Há uns meses]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-2699345300776856773?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/2699345300776856773/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=2699345300776856773&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/2699345300776856773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/2699345300776856773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2007/10/calor.html' title='Calor'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-314605776283032442</id><published>2007-10-02T03:37:00.001+01:00</published><updated>2007-12-21T09:42:25.776Z</updated><title type='text'>Palavras</title><content type='html'>Dantes tinha palavras. Guardadas num qualquer saco sem fundo. Escondidas dos locais à superfície da pele, onde podiam sujar-se com a poeira dos dias.&lt;br /&gt;Ficavam resguardadas de tudo. E de mim. Até ao momento exacto em que qualquer engrenagem silenciosa da alma se iniciava. E as pedia insistentemente, como se não houvesse mais nada de essencial na vida. Como se fossem a solução para todos os problemas, a panaceia para todos os males.&lt;br /&gt;Era então que o saco de palavras se abria o tempo exacto para que aquelas necessárias viessem até mim, como pequenos milagres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, infelizmente, parece que o saco desapareceu. Ou talvez a engrenagem esteja perra. Ou talvez as palavras tenham deixado de ser essenciais. Não sei bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só sei que. Agora. Já não tenho palavras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-314605776283032442?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/314605776283032442/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=314605776283032442&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/314605776283032442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/314605776283032442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2007/10/palavras.html' title='Palavras'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-1625145295673075398</id><published>2007-07-18T04:10:00.000+01:00</published><updated>2007-12-21T09:40:37.326Z</updated><title type='text'>O guardador</title><content type='html'>Guardo coisas  de mais. Fora de mim, nas gavetas/alçapões-de-memórias do meu quarto. E dentro de mim, em qualquer lugar inacessível à vista, mas doloroso na alma. Por vezes guardo-me a mim mesmo, hermeticamente fechado, por dentro de uma cara e de uma atitude que não me são transparentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Antigo...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-1625145295673075398?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/1625145295673075398/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=1625145295673075398&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/1625145295673075398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/1625145295673075398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2007/07/o-guardador.html' title='O guardador'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-7810773655057414044</id><published>2007-06-30T04:51:00.000+01:00</published><updated>2007-06-30T05:05:41.885+01:00</updated><title type='text'>Espero por ti nas brumas da noite</title><content type='html'>Espero por ti nas brumas da noite.&lt;br /&gt;As costas contra o frio áspero do muro.&lt;br /&gt;O muro contra o frio rugoso das costas.&lt;br /&gt;Acendo um cigarro para que o tempo passe mais depressa.&lt;br /&gt;Para que o tempo me morra entre os dedos num clarão laranja.&lt;br /&gt;Até a polpa dos dedos doer de calor.&lt;br /&gt;Na mão esquerda um ramo de tulipas embrulhado em papel azul.&lt;br /&gt;A perna esquerda esticada a roçar no papel azul crocante das tulipas.&lt;br /&gt;O pé direito no muro e o joelho em riste.&lt;br /&gt;O relógio de pulso que não avança.&lt;br /&gt;Parado como numa hora de ponta infernal.&lt;br /&gt;O vento parece soprar com mais força.&lt;br /&gt;Como se quisesse varrer-me da rua.&lt;br /&gt;Varrer a rua de mim.&lt;br /&gt;O azul estaladiço do papel das tulipas contra a perna esquerda.&lt;br /&gt;O tic-tac quase imperceptível - ensurdecedor - do relógio.&lt;br /&gt;O clarão laranja entre os dedos.&lt;br /&gt;O frio gélido - de morte - nas costas.&lt;br /&gt;A dor do calor na polpa dos dedos a anunciar-me mais um fim.&lt;br /&gt;Do cigarro.&lt;br /&gt;Da espera e da esperança desta noite.&lt;br /&gt;O pé direito de encontro ao muro impulsiona-me todo para fora dele.&lt;br /&gt;Vai-se o frio do muro e fica o frio glacial das costas.&lt;br /&gt;Arremesso o ramo de tulipas por cima do muro.&lt;br /&gt;Para o quintal da casa abandonada onde um dia viveste.&lt;br /&gt;O papel azul amarrotado a tomar o seu lugar por entre centenas de outros papéis amarrotados e crocantes.&lt;br /&gt;De todas as cores.&lt;br /&gt;Com tulipas murchas - ou por murchar - dentro.&lt;br /&gt;Afasto-me cabisbaixo.&lt;br /&gt;Amanhã virás.&lt;br /&gt;E fugiremos então.&lt;br /&gt;Como me prometeste.&lt;br /&gt;De mãos dadas pelas brumas da noite.&lt;br /&gt;Enquanto em tua casa todos dormem.&lt;br /&gt;Eu esperarei por ti no muro.&lt;br /&gt;Comprar-te-ei um ramo de flores sem que saibas.&lt;br /&gt;Tulipas como tu gostas.&lt;br /&gt;Embrulhadas em papel crocante para que sorrias.&lt;br /&gt;Fugiremos então.&lt;br /&gt;De encontro a uma alvorada prometida.&lt;br /&gt;Sim.&lt;br /&gt;Amanhã virás.&lt;br /&gt;Agacho-me.&lt;br /&gt;Encolho-me todo contra o muro abandonado.&lt;br /&gt;Sem ti.&lt;br /&gt;A cabeça entre as mãos.&lt;br /&gt;E choro.&lt;br /&gt;Choro.&lt;br /&gt;Choro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Não fumo...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-7810773655057414044?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/7810773655057414044/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=7810773655057414044&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/7810773655057414044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/7810773655057414044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2007/06/espero-por-ti-nas-brumas-da-noite.html' title='Espero por ti nas brumas da noite'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-3246989116073760530</id><published>2007-06-30T04:44:00.000+01:00</published><updated>2007-06-30T04:50:37.744+01:00</updated><title type='text'>Sintra a meio da tarde</title><content type='html'>Sintra a meio da tarde. Enquanto os turistas percorrem as estreitas vielas da vila velha. Um Sol quente e desejado de uma Primavera que ainda não o foi. Apenas uma leve brisa a enganar o calor. A soprar o lume dos corpos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sons todos. Pessoas que falam ao longe e ao perto. Em português e em línguas díspares, numa amálgama de Babel. O esvoaçar rápido das pombas a levantarem voo, enquanto outras arrolam na distância. O sino da igreja a tocar duas vezes. O ruído de motores. De todo o tipo de automóveis e também de uma avioneta que agora passa. O trotar dos cascos dos cavalos a entoar no alcatrão, na calçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tinir metálico dos postes embandeirados a dançarem com o vento. O estalar do teçido de que são feitas as bandeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Travagens. Os passos das pessoas. Algum carro apita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim. A meio da tarde. Sintra é uma canção de embalar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-3246989116073760530?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/3246989116073760530/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=3246989116073760530&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/3246989116073760530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/3246989116073760530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2007/06/sintra-meio-da-tarde.html' title='Sintra a meio da tarde'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-1885745513315183166</id><published>2007-05-14T02:57:00.000+01:00</published><updated>2007-05-14T03:13:21.031+01:00</updated><title type='text'>Natal</title><content type='html'>É dia de Natal. 2006. A serra. Hoje. Usou a a paleta toda de cores para dizer adeus ao dia. No céu as nuvens, apesar de imóveis, parecem partir. Fazem lembrar muitos pedacinhos de algodão cinzento em carreira. Contra um fundo em gradiente. De vermelho a azul. Como um arco-íris disperso. Como um disperso-íris no horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em redor há casas fechadas com gente dentro. Ao lado de casas fechadas com gente dentro. Assim numa extensão de quilómetros até o sopé da serra nascer da planície de paredes brancas. Das janelas pendem cachos de luzes às cores. Ou pais-natais em pose de assaltantes subindo as casas. Nas ruas há pouca gente. Poucos carros. Poucos sons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presumo que os sons estejam fechados em casas com gente dentro. Gente cujos rostos não adivinho. Cujo sorriso não posso imaginar. Gente feliz, talvez. Gente triste que pensa (ou que tenta. Ou que quer acreditar) ser feliz, também. Gente que pendura cachos de luzes às cores de frente para um pôr-do-Sol inesquecível e se fecha em casas com gente dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cá fora. Eu. Apesar de imóvel. Pareço partir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Natal.2006]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-1885745513315183166?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/1885745513315183166/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=1885745513315183166&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/1885745513315183166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/1885745513315183166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2007/05/natal.html' title='Natal'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-846273360745437764</id><published>2007-04-26T19:55:00.000+01:00</published><updated>2007-04-26T20:06:38.797+01:00</updated><title type='text'>Fantasma...</title><content type='html'>A tua imagem seguiu-me o dia todo. Acordei de manhã com a cabeça pesada e os olhos semicerrados e, enquanto me habiuava à última escuridão da madrugada, vi-te na janela. Fantasma de rosto duro e sem expressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, no Metropolitano, em hora de ponta, viajaste perto de mim. Entre nós não haviam mais de sete corpos a balouçar com o andamento da carruagem. Estavas encaixada entre um homem vestido de negro (rosto mirando o chão, cabelo preto a rarear no topo da cabeça) e uma idosa de olhar surpreendentemente jovial.&lt;br /&gt;Trazias um vestido azul, com a cor do céu quando acaba de nascer o dia. Esvoaçava em teu redor como searas perdidas na distância de uma paisagem que não sei situar. Estavas feliz. Sem a máscara fria e dura dos dias frios e duros da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite. Quando reentrei em casa. Estavas sentada no sofá. Em frente da televisão apagada. O cabelo caía-te pelos ombros em tiras irregulares de castanho escuro. As mãos escondiam-te o rosto. Os joelhos estavam juntos. Os pés também. Toda tu eras uma enorme solidão parda.&lt;br /&gt;Não te mexeste qundo fechei a porta com ímpeto. Não te mexeste quando me descalçei, nem quando pousei o casaco nas costas da cadeira. Não te mexeste quando fingi trautear uma canção que me ensinaste um dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei por ir até à cozinha, para sentir o gelo da bebida a queimar na boca. No esófago. Até ao estômago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando regressei à sala não estavas. No teu lugar apenas o fim de mais um dia. Arrastado e igual ao fim de tantos outros dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei-me no sofá (ao teu lado, se lá estivesses). Liguei a televisão por instantes. Terminei a bebida. E depois ergui-me e, como um condenado à morte se dirige ao cadafalso, escoltei-me até ao quarto. Onde caí na cama com o peso do mundo. E fechei os olhos com muita força, para te ver outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[25/04/2007]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-846273360745437764?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/846273360745437764/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=846273360745437764&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/846273360745437764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/846273360745437764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2007/04/fantasma.html' title='Fantasma...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-117401836648253899</id><published>2007-03-16T04:52:00.000Z</published><updated>2007-03-16T05:12:46.496Z</updated><title type='text'>Manuel e Alzira</title><content type='html'>Dantes a estrada de terra batida era tudo. A poeira que se elevava do chão ferido pelas rodas do carro sabia bem como beijos de mãe. Do lado direito. Ao fundo da estrada estreita, onde mal cabia o nosso carro, dois pedaços de muro dividiam o mundo. Ajudados pelo portão de ferro vermelho. De onde se soltavam lascas de tinta que deixavam à mostra a ferrugem castanha do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O portão que subia em pequeno. Com os pés fincados no bordado de ferro. Que subia para me sentir balouçar nas dobradiças gastas pelos anos. O portão onde me feri na coxa esquerda.  Com a ponta de uma seta de ferro que se erguia no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para lá do muro e do portão havia o vosso mundo. A relva marcada pelo passar dos pneus. O canteiro de flores do lado esquerdo, antes das escadinhas de pedra. Onde vocês nos esperavam sempre como se a salvação estivesse no nosso abraço e tudo o que era mau se escondesse a correr, no fundo do baixo que ficava a seguir à casa. A seguir à relva.&lt;br /&gt;Mas antes da horta. Antes dos morangueiros. Antes das pereiras que vertiam os seus frutos no chão como se chorassem muito. E eu não as quisesse perceber.&lt;br /&gt;Do lado direito outras árvores. Outras plantações. E ao fundo mais árvores altas. Com bicicletas e câmaras de ar antigas. Mais antigas do que eu. Presas nos ramos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo todo que havia nesse quintal. Quando era pequeno e olhava para as árvores do fundo era como se olhasse para todo o Universo. Gostava muito. Gostava tanto. De pensar que as árvores do fundo ficavam numa distância infinita. Que o caminho até lá era mágico e que tinha segredos por descobrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que foi por isso que nunca gostei de passear em toda a extensão da horta. De uma vez. Para não ter a certeza triste e dolorosa que aquele espaço era finito. Pequeno. Talvez. Até. Sem magia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                               (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora tudo mudou. Passei lá neste Verão e deu-me nos olhos uma tempestade.&lt;br /&gt;Não restava nada do que um dia existiu. De um certo modo estava tudo igual. Muro. Portão. Relva. Canteiro. Degraus. Porta de madeira da casa. Quintal. Árvores do fundo. Mas estava tudo triste. Estava tudo morto. Tudo morto e transformado numa aberração do paraíso que fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que vocês se foram. E não há ninguém à nossa espera nos degraus das escadas. Para nos abraçar e dizer quantas saudades tinham tido nossas. Tudo está morto. E agora... Eu não posso... Abraçar-vos e dizer quantas saudades tenho vossas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[06-12-2005]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-117401836648253899?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/117401836648253899/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=117401836648253899&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/117401836648253899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/117401836648253899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2007/03/manuel-e-alzira.html' title='Manuel e Alzira'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-116892452968484544</id><published>2007-01-16T04:53:00.000Z</published><updated>2007-01-16T05:15:29.746Z</updated><title type='text'>Acordar ao teu lado (num tempo de espuma e relógios parados)</title><content type='html'>Eram sete da manhã e a luz entrava nua e fria pelos espaços do estore mal corrido. No ar a fragrância da noite reinava ainda sobre a multidão de coisas por arrumar que habitava o quarto.&lt;br /&gt;O teu corpo encostado. Ancorado. Ao meu, como navio no cais à espera de ondas por vir. A palma da minha mão aberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As rugas da pele a envelhecer. A secura dos dedos. As veias proeminentes. A lembrarem rios e desertos e serras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estendida sobre a tua coxa semi-desvendada por um capricho do lençol e da noite. A sensação quente e doce do toque da tua pele na ponta dos dedos. Como um embalar-te sem te ter nos braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A brancura do teu pescoço. Os minúsculos e inúmeros cabelos a emergirem da tua nuca com a beleza mágica duma orla de floresta. O cair dos teus cabelos sobre a almofada. Sobre o ombro de encontro à cama. Uma clave de sol a desenhar a tua orelha no amanhecer do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O calor morno do teu corpo a dormir a chegar até à fronteira do meu. A atravessar a barreira física da pele e a encher-me todo de um dia de Sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A janela aberta a trazer até ao silêncio estático do quarto uma vida de sons matinais. Uma sinfonia sem partitura e interminável. Os sons a virem até nós aos saltos como crianças traquinas. Os sons a virem até nós. A mim do lado de cá do sono. Rejeitados por ti na inocência profunda do mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O passar da manhã a ser um rio suave e forte. Um rio suave e forte a desaguar no teu primeiro estremecimento. No fôlego de brisa que te faz levantar as pálpebras e ver o mundo como pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois, o leve aflorar no teu rosto de um sorriso. De um sorriso sem Sol nem Lua. De um sorriso feito de amor e sem nada a temer.&lt;br /&gt;A montanha parada e sagrada que é o teu corpo a agitar-se. E a virar-se para mim com a lentidão lânguida de um gato a espreguiçar-se ao Sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os teus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os teus olhos a serem um novo dia dentro do mundo. Um outro mundo dentro do mundo. Os teus olhos cor de amanhã. A fervilharem de dias por acontecer. De sonhos por concretizar. De manhãs por acordar.&lt;br /&gt;Os teus olhos sem forma. Ou com a forma de duas gotas de orvalho em pleno ar. Antes do calor da terra as acolher nos braços abertos.&lt;br /&gt;Os teus olhos como fogueiras em noites de São João. Como lareiras nas vésperas de Natal. Acolhedores e aconchegantes. Intemporais e concretos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os teus olhos a olharem-me na imensidão do tempo. Na solidão de nós. Sem receios e sem promessas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma carícia no rosto. Na tua pele. A estimular os receptores sensoriais escondidos aos milhares debaixo dela. Estes a levarem mensagens aos neurónios sensoriais, à espinal medula, ao córtex. Milhares de pequeninas mensagens que eu supunha dizerem. Que eu sabia dizerem. Que te amava e que o mundo não seria mundo se eu não pudesse passar a mão, numa carícia, pelo teu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois vinha o magnetismo irresistível dos lábios. Os dois pólos contrários, que éramos nós. Que somos nós. A atrairem-se com forças por inventar. Por descobrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A força gravitacional é fraca. Nem sequer é força. Nem é nada. Comparada com a atracção magnética que conduz os meus lábios e os teus lábios ao encontro a meio caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa suspensão do tempo. Num tempo de espuma e relógios parados. O momento sublime. Genial. Sinfónico. Em que os meus lábios repousam nos teus. Em que os teus se vêm aconchegar e encontrar nos meus.&lt;br /&gt;Acontece tudo num espaço que é sempre novo. À nossa volta todas as paisagens dos dias que foram nossos. Dos dias que haviam de. Que hão-de. Ser nossos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[02/03/2006... Quando o escrevi deixei-o incompleto. Mas passou tanto tempo que vai ficar  assim.]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-116892452968484544?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/116892452968484544/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=116892452968484544&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/116892452968484544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/116892452968484544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2007/01/acordar-ao-teu-lado-num-tempo-de.html' title='Acordar ao teu lado (num tempo de espuma e relógios parados)'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-116892308350504182</id><published>2007-01-16T04:40:00.000Z</published><updated>2007-01-16T04:51:23.520Z</updated><title type='text'>O prazer da escrita</title><content type='html'>De noite. Sempre. A vontade esporádica. Mas poderosa. De escrever. Numa altura precisa. Quando o sono torna irreversível o caminho até ao leito mas a mente anseia ainda o labor purgante do pensamento.&lt;br /&gt;É um sentimento único. Como o expandir físico de um cubículo apertado. Como passar a respirar ao ar lire depois de estar cativo numa caixa sem respiradouro. Como estas coisas mas diferente ainda é a sensação que me assola. O prazer de sentir que algo pode fluir de mim e materializar-se nas linhas rítmicas da vida. Feitas caderno por marcar.&lt;br /&gt;O prazer que sinto em saber que nestas alturas posso escrever é muito superior (Sacrilégio!) ao próprio prazer da escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Há uns meses. Mas podia ser um dia qualquer.]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-116892308350504182?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/116892308350504182/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=116892308350504182&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/116892308350504182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/116892308350504182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2007/01/o-prazer-da-escrita.html' title='O prazer da escrita'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-116742229108444552</id><published>2006-12-29T19:56:00.000Z</published><updated>2006-12-29T19:58:11.103Z</updated><title type='text'>Às tantas</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Às tantas não quero saber. Sou uma pessoa que não quer saber. Foi nisto que me tornei. Um algo que não quer saber nada do que se passa no vazio por fora de si.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Às tantas acordei um dia e no lugar do coração tinha uma pedra sem movimento. Foi aqui. A este lugar sem som e frio. Que tudo veio dar. Que tudo. Veio dar.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Às tantas sou mais um. Mais um numa fogueira gigantesca. Mais um que tem nãos em vez de olhos. E paus em vez de mãos. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-116742229108444552?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/116742229108444552/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=116742229108444552&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/116742229108444552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/116742229108444552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/12/s-tantas.html' title='Às tantas'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-116606797416662869</id><published>2006-12-14T03:45:00.000Z</published><updated>2006-12-14T03:46:14.176Z</updated><title type='text'>Orvalho</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Agora. No fim da noite. Quando tudo parece ter passado. Sem se ter no entanto a certeza de se ter passado por alguma coisa. Ou de se estar apenas a iniciar uma outra. Agora quando o silêncio começa a corroer a euforia falsa. A euforia falsa que talvez só exista para proteger deste silêncio. Do silêncio de nos sentarmos sozinhos a meio da noite, de frente para nós, num confronto interno duro e mutilante… &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Agora que desce sobre nós, como o cacimbo sobre a vegetação nas madrugadas geladas de Inverno, o peso das decisões tomadas. Tudo parece um pouco mais difícil… E somos folhas dobradas pelo peso de duas gotas – espessas, densas, lentas - de orvalho…&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-116606797416662869?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/116606797416662869/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=116606797416662869&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/116606797416662869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/116606797416662869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/12/orvalho.html' title='Orvalho'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-116568184872737463</id><published>2006-12-09T15:52:00.001Z</published><updated>2006-12-09T16:32:41.330Z</updated><title type='text'>Sereia</title><content type='html'>Neste momento tudo me prende aqui. Mas no entanto vou. Tenho que ir. Apesar das pessoas que vão ficar. Das saudades grandes que eu e elas vamos ter de nós. Apesar das lágrimas que vão salgar a cara de vez em quando. E das memórias. Que umas vezes hão-de aquecer o coração e outras nos hão-de tornar lívidos de frio e solidão. Tenho que ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguma coisa dentro de mim me diz que tem de ser assim. Que este é o caminho. Que tudo irá correr bem. E mesmo que não corra pelo menos ficará a certeza insofismável - por oposição à incerteza mortificante (de não ter tentado) - de ter tentado. Talvez seja o mesmo ímpeto que há mais de 500 anos levou o meu povo a partir. Contra mães que choravam. Contra filhos que em vão rezavam. Contra noivas que ficavam por casar. Para que o mar fosse nosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou talvez seja apenas o apelo irresistível da distância. O canto longínquo de uma sereia interior. Contra o qual não me posso amarrar a um mastro ou tapar os ouvidos com cera - como Ulisses. Contra o qual poderia talvez cantar mais alto. Cantar mais docemente como Orfeu para salvar os Argonautas. Tornando a sereia em rocha precipitada no mar... Mas não sei se aguentaria o silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada um de nós traz uma canção da distância debaixo da pele. Uma melodia exótica que nos chama e nos tenta resgatar ao conforto estéril do quotidiano. Um destino qualquer para onde partir e - quem sabe? - por preencher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que. Ainda que neste momento tudo me prenda aqui. Pessoas. Saudades. Lágrimas por vir. Memórias de sorrir e chorar. Eu tenho que me soltar. E ir. De encontro ao canto longínquo da sereia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-116568184872737463?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/116568184872737463/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=116568184872737463&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/116568184872737463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/116568184872737463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/12/sereia_09.html' title='Sereia'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-116286564811026128</id><published>2006-11-07T01:48:00.000Z</published><updated>2006-11-07T02:14:08.126Z</updated><title type='text'>Vou ser assim!</title><content type='html'>No outro dia, enquanto ia a caminho do Hospital uma vez mais. Uma manhã mais de um dia mais. De uma semana mais. De um mês mais. De um ano mais. No outro dia, enquanto ia a caminho do Hospital uma vez mais. Parei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei no meio da multidão que passava apressada. Ora para sair ora para entrar pelos portões de ferro sempre abertos que guardam a entrada. Parei e pensei. Como acordando de um sonho. O que estou a fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só isto. O que estou a fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti-me um carro eléctrico sobre carris. Que percorre todos os dias as mesmas ruas gastas. Que não pode virar à esquerda ou à direita (Porque vai em frente. Sempre em frente. Sem poder escolher um beco. Uma viela. Um recanto. Para se esconder do metal frio dos carris que levam a lado nenhum porque levam sempre aos mesmos lados) . Cujo caminho está traçado e para quem não há esperanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti-me um carro eléctrico sobre carris. Preso. Talvez mais do que numa prisão. Por estar preso pensando estar em liberdade. Por estar preso nas ruas da cidade. Entre as cores. As formas. Os cheiros. Os sons. As paredes. Das pessoas todas em meu redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde então até agora. Desde esse momento até agora. Quando passaram alguns dias sem nome ou número. Não me consigo concentrar. Os dias são diferentes. As horas custam a passar e o entusiasmo aparece esporadicamente na crosta de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma só ideia domina o meu espírito. Não quero mais. Não quero mais estes carris que me guiam o destino. Vou ser eu. Vou ser feliz. Como alguém disse um dia,&lt;span style="font-style: italic;"&gt; a minha vida não é nada disto&lt;/span&gt;. Não sei bem como é. Mas sei que não é nada disto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N'Os Maias. Um dos livros que me marcou profundamente. Há uma frase linda. Linda. Linda. Que diz, acerca da vida planeada e da realidade que a substitui, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;vou ser assim, porque a beleza está em ser assim. E nunca se é assim. É-se invariavelmente "assado"&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele momento revelador senti-me assim... assado. Mas. Foi desde aí. Que disse. Que começei a dizer. Ao fim de 24 anos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Vou ser assim, porque a beleza está em ser assim!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-116286564811026128?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/116286564811026128/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=116286564811026128&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/116286564811026128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/116286564811026128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/11/vou-ser-assim.html' title='Vou ser assim!'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-115801532680836657</id><published>2006-09-11T23:48:00.000+01:00</published><updated>2006-09-11T23:55:26.826+01:00</updated><title type='text'>Vértice</title><content type='html'>De noite.&lt;br /&gt;Na solidão da falésia.&lt;br /&gt;O vento corta-me  às fatias.&lt;br /&gt;Sou lusco-fusco&lt;br /&gt;(A bailarina de corda.&lt;br /&gt;Sem mão esquerda e de lábios azuis)&lt;br /&gt;Semente nocturna dos dias.&lt;br /&gt;O mar contra a pedra.&lt;br /&gt;O mar morto contra pedra viva.&lt;br /&gt;Luto salgado. Sagrado.&lt;br /&gt;Dos quartos vazios à luz trémula das velas&lt;br /&gt;E das mãos que tombam de outras.&lt;br /&gt;O silvo seco e louco de tudo&lt;br /&gt;A embalsamar-me os olhos&lt;br /&gt;Num instante de terror.&lt;br /&gt;Até a baioneta.&lt;br /&gt;(Frio de metal cinzelado.&lt;br /&gt;Azul. Azul. Azul.&lt;br /&gt;A invadir dos lábios o corpo todo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o sangue!&lt;br /&gt;Vivo. Vermelho. Voraz. Veloz.&lt;br /&gt;Se verter no véu da alvorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Ontem. Adoro]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-115801532680836657?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/115801532680836657/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=115801532680836657&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/115801532680836657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/115801532680836657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/09/vrtice.html' title='Vértice'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-115464976130072441</id><published>2006-08-04T01:01:00.000+01:00</published><updated>2006-08-04T01:26:06.926+01:00</updated><title type='text'>Palavras...</title><content type='html'>Às vezes os dias caem, como se lhes chegasse o Outono.Como se nas folhas caídas  das árvores se soltassem pedaços da vida de cada um de nós. Às vezes custa. Levantar a cabeça e sorrir, como se tudo estivesse bem e o mundo fosse um gigantesco parque de diversões, ou um eterno Verão inextinguível da nossa infância. Às vezes custa abrir os olhos na escuridão das tardes, distinguir algo por entre os vultos vagueantes nas nossas ruas, nas palmas das nossas mãos.&lt;br /&gt;Disseram-nos sempre que ninguém se esquece de andar de bicicleta, mas ninguém nos disse que nos esquecemos de tanta coisa, que as nossas memórias se rasgam mais facilmente do que uma folha reduzida a cinzas. Ninguém nos disse que os pôres-do-sol causam habituação e que na poeira envidraçada dos dias que nos arrastam perdem as cores, a magia, o encanto.&lt;br /&gt;Ninguém nos disse que se perdem os amigos por entre os dedos como areia na praia, nem que os nossos castelos de encantar não duram sempre, e se desfazem, sempre, por entre a maré que sobe e o vento que se levanta.&lt;br /&gt;Ninguém nos disse que às vezes os dias caem, como se lhes chegasse o Outono...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chaves, 07-08-2004 (4:51)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-115464976130072441?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/115464976130072441/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=115464976130072441&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/115464976130072441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/115464976130072441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/08/palavras.html' title='Palavras...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-115395843844097853</id><published>2006-07-27T00:48:00.000+01:00</published><updated>2006-07-27T01:01:32.510+01:00</updated><title type='text'>Impressões</title><content type='html'>O fim do dia a cair sobre a terra como um véu das mil e uma noites. Com uma promessa de ilhas paradisíacas suspensas num pôr-do-Sol perfeito.&lt;br /&gt;O fim do dia a esbater suavemente cores, cheiros, sons e a acender levemente, no seu lugar, uma sinfonia nocturna.&lt;br /&gt;O ritmo melancólico. Doce. Que se vai lentificando sem se tornar lento. O ritmo dos lavradores a retornarem do campo com as sacholas no ombro e a boina levantada. O cabelo agora descoberto. Grisalho como a vida. A mão que desliza sobre ele como arado sobre terra por semear. Mais um passo amortecido pela estrada de terra batida e na face uma gota de suor vai descansar de encontro ao sobrolho. A boina a regressar ao topo da cabeça. A camisa desabotoada. Dois botões e o peito queimado por tantos sóis. A mão a buscar o bolso. A buscar dentro do bolso. O lenço azul com a inicial cosida. Companheiro quando o calor aperta e faz chorar a pele em demasia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um passo. O virar da esquina. E no canto do olhar acende-se um brilho moreno e vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá ao fundo. De pé no topo das escadas de pedra, uma frágil figura espera. As mãos enrugadas repousando sobre o avental azul. O cabelo apanhado num carrapito no cimo da cabeça. Nos pés socas de madeira sujas de terra. E no rosto a alegria serena. E sábia. Do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[26/07/2006]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-115395843844097853?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/115395843844097853/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=115395843844097853&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/115395843844097853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/115395843844097853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/07/impresses.html' title='Impressões'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-115370556545295097</id><published>2006-07-24T02:44:00.000+01:00</published><updated>2006-07-24T02:46:16.823+01:00</updated><title type='text'>Papão</title><content type='html'>A cama hoje não vai ser repouso. Nem o sono vai chegar. Hoje vem uma noite branca. Como outras no passado nevado. O amanhã é um bicho muito mau e muito feio que vem para me fazer mal. E os braços da noite, hoje, não me podem proteger nem esconder das borboletas más na barriga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2006]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-115370556545295097?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/115370556545295097/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=115370556545295097&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/115370556545295097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/115370556545295097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/07/papo.html' title='Papão'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-115370519583751894</id><published>2006-07-24T02:30:00.000+01:00</published><updated>2006-07-24T02:39:55.840+01:00</updated><title type='text'>A verdade (e um limpa-neves)</title><content type='html'>A verdade é só esta. Nua e crua como só as verdades podem ser. Quero atirar-te para trás das costas. Quero esquecer-te. Perder-te (Não ir-te perdendo aos poucos. Perder-te toda de uma vez só com a intensidade com que sempre cri em ti).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é só esta. Tivemos muitos dias. Muitos meses. Muitos anos. Cheios de segundos e oportunidades que não o foram. Agora chega. Agora a nossa viagem chegou ao fim. Os nossos destinos separam-se aqui. Eu vou por aqui. Tu vais por onde quiseres. Mas não comigo. Não te trarei mais dentro de mim nas horas vazias, quando a noite cresce dentro do peito até sugar toda a sanidade do ar. Agora chega. Estarei só quando estiver só (Não estarei acompanhado como quando estava só com a tua presença metafísica). Estarei só e feliz. Sem o peso todo do passado que nem passado foi, mas um devaneio de criança. Sim, um devaneio de criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é só esta. Espero um dia perder também as recordações que são caminhos de terra batida que levam a tua casa. As poucas recordações que são veredas à beira-rio num pôr-do-Sol eterno onde corro o risco de te reencontrar sem querer. Espero apagar todas as minhas pegadas da neve. Para nunca mais as poder seguir no sentido contrário. No sentido das tuas. No sentido de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é só esta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[13/14-06-2006]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-115370519583751894?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/115370519583751894/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=115370519583751894&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/115370519583751894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/115370519583751894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/07/verdade-e-um-limpa-neves.html' title='A verdade (e um limpa-neves)'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-115370451920673602</id><published>2006-07-24T02:26:00.000+01:00</published><updated>2006-07-24T02:28:39.233+01:00</updated><title type='text'>Anjos</title><content type='html'>Às vezes. Na vida. Há pessoas que nos tocam como anjos. Com os seus dedos de veludo e os seus corações cheios de paz. Pessoas que nos enlaçam com os fios invisíveis da alma e nos prendem com nós que nenhuma espada pode desfazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o que. Muitas vezes. Como anjos regressando aos céus.  Se afastam de nós. Desaparecem na imensidão  (de oceano)  da saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[23-07-2006]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-115370451920673602?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/115370451920673602/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=115370451920673602&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/115370451920673602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/115370451920673602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/07/anjos.html' title='Anjos'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-115335839411978996</id><published>2006-07-20T02:18:00.000+01:00</published><updated>2006-07-20T02:19:54.136+01:00</updated><title type='text'>K.</title><content type='html'>O Hospital frio e sem cor. Onde o barulho das luzes acesas queima o peito sem oxigénio. Onde não há horas do dia e horas da noite, mas horas longas, grávidas, cheias de doença. Os vidros irreais a reflectirem no espaço incorpóreo da luz acesa na janela em frente, o meu reflexo. O reflexo que deve ser meu porque naqueles olhos adivinho um brilho do olhar que nasceu comigo. Mas nada mais. Um outro rosto, outras rugas vincadas numa expressão que não conheço. Uma caricatura feia. Uma máscara de Carnaval feia. Uma pintura abstracta feia. Do que um dia julguei ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por cima, os aviões. Os aviões sempre. Numa asfixia de turbinas a desacelerar. À qual se segue um silêncio mentiroso e um trovão a aproximar-se, de outro avião a descolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os corredores longos e desertos. E repetitivos. Sem saídas por onde saltar para a vida. Os corredores longos. Encadeados. Iguais entre si como dois canos de caçadeira.&lt;br /&gt;Os corredores longos. A desenharem pontos de fuga virtuais na distância, que são prisões de betão e mosaico adiadas.&lt;br /&gt;Os corredores longos. Tão longos que se ramificam a qualquer instante, que progridem implacavel e incessantemente como os ponteiros de um relógio que nunca pára. Que se ramificam até penetrarem em nós. Até nos corromperem por dentro como roupas com traça. Os corredores que são reflexos infinitos na casa dos espelhos da feira popular. Que angustiam e nos encostam às paredes até o chão nos escorregar por baixo do corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os corredores Kafkianos. Os corredores sem portas. Ou com portas muito ao longe, que nenhuma corrida pode alcançar. Os corredores que não terminam. Que não terminariam ainda que passássemos a noite toda a andar. A noite? Queria ter dito a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não haver nas mãos uma nascente no topo de uma montanha. E um fio de água a correr delas e a formar um rio grande e forte e livre. Que rebentasse estas paredes e estes vidros estéreis de vida e nos devolvesse.&lt;br /&gt;Nos devolvesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me devolvesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paz de uma noite de luar no cimo da serra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[24-03-2006 22:55... (Sta.Maria) ]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-115335839411978996?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/115335839411978996/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=115335839411978996&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/115335839411978996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/115335839411978996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/07/k.html' title='K.'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-115145642401683170</id><published>2006-06-28T01:51:00.000+01:00</published><updated>2006-06-28T02:00:24.033+01:00</updated><title type='text'>Adeus</title><content type='html'>Escoa-se o dia no fundo do mar.&lt;br /&gt;Ao longe um barco só,&lt;br /&gt;Num desleixe de  pintor apressado.&lt;br /&gt;Uma gaivota desenha sinfonias,&lt;br /&gt;Recortadas nas nuances do céu.&lt;br /&gt;Além, nuvens frágeis apetecem,&lt;br /&gt;Como algodão doce na feira.&lt;br /&gt;As ondas repetem à areia&lt;br /&gt;Histórias de adeus...&lt;br /&gt;E ela chora espuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meu lado, pegadas curtas&lt;br /&gt;Que se perdem no areal dourado.&lt;br /&gt;E se levantaram junto a mim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2004]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-115145642401683170?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/115145642401683170/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=115145642401683170&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/115145642401683170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/115145642401683170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/06/adeus.html' title='Adeus'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-114946443344312533</id><published>2006-06-05T00:32:00.000+01:00</published><updated>2006-06-05T04:00:55.406+01:00</updated><title type='text'>Ampulheta</title><content type='html'>Só hoje percebi que vais ser passado. Foi agora. Desde então só peguei na caneta e no bloco. Ambos novinhos a estrear. Percebes a ironia? Acabei de perceber que tu. Como quase tudo o resto. Vais acabar por ser passado. E digo-o de uma maneira cheia de futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devia tê-lo percebido há muito tempo atrás. Só os meus olhos, abertos de mais, me impediram de perceber os pormenores. E também os pormaiores. Porque não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De certa forma chegaste até este presente. Até este presente revelador e  mutacional. Embrulhada em roupagens de passado. Foi quase como se eu e tu fôssemos soldados. Como se tu tivesses caído moribunda há quilómetros atrás. Como se eu tivesse insistido. Como se não quisesse perceber o vazio a crescer no espaço branco do teu olhar. Na tua pupila. Como se não quisesse ver o sangue a verter-se do teu abdómen fendido (Como se não quisesse ver-te verter. Ver-te vertida). Como se, por tudo isso, te tivesse erguido com carinho no ar antes de te colocar o peso (Morto. O peso morto) sobre mim. Sobre os meus ombros cegos e surdos. Como se, depois disto ter feito, te tivesse carregado quilómetros e quilómetros (que são metros e metros somados a metros e metros na lonjura dos dias). Por desertos e montanhas. Por vales e mares. Convencido de que estavas. De que eras presente e serias futuro. Até hoje. Neste sofá perdido na multidão domingueira de um centro comercial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só hoje percebi que vais ser passado. E perder-te vai ser natural e desinteressante. Como um braço a pender dos ombros. Dois braços a escorregarem. E logo depois o silêncio do corpo todo na terra batida. Já sem dentros para verter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[04-06-06. 20 horas. CascaisShopping. Tive caneta, papel e força. Estou muito feliz. Mesmo muito feliz com este texto. E isso é raríssimo.]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-114946443344312533?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/114946443344312533/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=114946443344312533&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114946443344312533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114946443344312533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/06/ampulheta.html' title='Ampulheta'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-114938588748340674</id><published>2006-06-04T02:45:00.000+01:00</published><updated>2006-06-04T02:52:47.536+01:00</updated><title type='text'>Caleidoscópios</title><content type='html'>Houve tempos em que corria em mim um sangue diferente do de hoje.  Tempos em que os meus olhos eram caleidoscópios e me mostravam o mundo como ele deve ser visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessas alturas havia dentro de mim o grito madrugador da poesia. Uma sensação em nada diferente de um delírio de febre. Como uma onda. Como uma inquietação imprevista e avassaladora. Rebentava em mim o desejo louco e inestancável (como um rio a derrubar uma barragem de betão). O desejo louco e inestancável de escrever. De escrever pedaços de corpo. De mergulhar de cabeça. E corpo todo. Nas águas purificantes da alma. E dela resgatar. Como se resgata alguém que está prestes a afogar-se. E dela resgatar as palavras ditadas pela mão cega da musa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso foi num tempo indeterminado. Que pode ter sido há anos ou apenas ontem. A partir de certa altura os dias são muito semelhantes a areias movediças. Que nos prendem pelas pernas e nos impedem de seguir viagem. De abrir horizontes. De ver o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo que. Sem caleidoscópios. É triste como uma casa vazia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-114938588748340674?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/114938588748340674/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=114938588748340674&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114938588748340674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114938588748340674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/06/caleidoscpios.html' title='Caleidoscópios'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-114930528549196305</id><published>2006-06-03T04:06:00.000+01:00</published><updated>2006-06-03T04:28:32.970+01:00</updated><title type='text'>Lua</title><content type='html'>Lá fora uma vez mais a lua cheia. Pendurada no azul quase diurno. De fim de tarde. Do céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sem nuvens. Quando a noite está assim necessito de uma clareira. De um lago talvez. De um jardim de uma casa de campo inglesa. Não sei bem. É-me difícil imaginar cenários para esta imagem. A placidez. Quase insolente. Da Lua no céu. A querer lembrar-me algo. Dizer-me algo que não percebo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cenário é irreal. Talvez só me lembre das lendas Arturianas ou do deserto africano. Um dia quero fazer um safari. Um dia quero ir ao Tibete. Um dia quero ir a uma aldeia remota do Japão profundo. Um dia quero molhar-me no Ganges. Um dia quero andar no Expresso do Oriente. Um dia quero. Tanta coisa que me magoa escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia vou ter uma caravana e correr a Europa toda. Toda. E vou ver os luares todos. Em cada lugar vou escrever um poema. Tirar uma fotografia. Beijar-te. Vou reter tanta coisa quanta puder. Fazer tudo. Visitar muita coisa. Percorrer muitos trilhos inexplorados. Se os houver e eu os encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que move. O que motiva. O que impulsiona o ser humano é a capacidade louca de sonhar. De desejar. De imaginar. Se realizasse todos os sonhos. Se isso fosse possível. Morria logo a seguir. De tédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Verão de 2005]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-114930528549196305?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/114930528549196305/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=114930528549196305&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114930528549196305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114930528549196305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/06/lua.html' title='Lua'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-114920559579407786</id><published>2006-06-02T00:26:00.000+01:00</published><updated>2006-06-02T00:46:36.006+01:00</updated><title type='text'>Puzzle de criança - 04/12/2000</title><content type='html'>Oh... repara, como se os teus braços fossem asas coladas ao meu corpo terreno...no abraço interminável e intemporal que nos damos apaixonados - só um, sempre o mesmo, contínuo e imutável -, cientes da nossa juventude e do nosso amor...&lt;br /&gt;Percebes? Que toda a vida sonhei com este abraço e que é a minha grande aspiração, o meu sonho para o futuro? Da mesma forma que tu és e serás sempre a musa dos meus dias mais inspirados, o reflexo doirado nas águas tépidas do lago ao crepúsculo e a aragem fresca de uma manhã em liberdade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como os pássaros que voam nos campos, livres e cheios de amor por dar e por receber, assim passeamos nós nesta cidade, cheios de um egoísmo bom que nos faz ter a plena consciência de que nada mais interessa no mundo para lá do olhar que trocamos - e que é um beijo doce, longo e ardente - e das paisagens que construimos lado a lado. Sim... sabes tão bem quanto eu, que o mundo é algo mais, não é unívoco, tem várias faces, sabes tão bem quanto eu... e isso aprendemo-lo juntos no conforto dos dias... que cada um pode criar o seu próprio mundo... o mundo é um quadro, e há mil e uma maneiras de o colorir e de lhe dar forma, mesmo quando a realidade é a mesma para todos... e afnal, isto é arte. Como um poeta que escreve o que lhe vai na alma, como um escultor que dá vida à sua obra de acordo com o palpitar que lhe vai dentro do peito, assim é também necessário ser um artista para dar ao mundo a coloração certa e torná-lo nosso... isso aprendemo-lo juntos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os teus lábios nos meus, a aconchegarem a criança que chora dentro de mim quando não estás, como carícias boas de mãe, a prometerem lagos de amor e aves de sonho em cada contacto, cada afago, cada despertar... sei que te conheço desde sempre, que sempre te conheci mesmo quando ainda não era eu e as minhas moléculas eram ainda um nada sereno e silencioso... sempre te conheci... como se te encontrasse dia após dia, redescubro-te, no entanto, em cada olhar, em cada sorriso, em cada emoção... surpreendes-me a cada instante contemplando das montanhas da minha imaginação o nosso amor, como se por vezes o visse não só pelos meus olhos, mas por olhos estranhos... e sorrisse enternecido... sabes? tu e eu não existimos verdadeiramente estando separados, como duas partes de um puzzle antigo lançadas ao acaso numa caixa de infinitas peças montadas pela mão de uma criança sonhadora... talvez que fosse evidente a nossa complementaridade, mas não deixa de ser maravilhoso que a criança nos tenha visto e sorrido perante o nosso olhar cúmplice, juntando-nos neste abraço interminável e caloroso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Puzzle de criança" -   04/12/2000   [Bem do fundo da gaveta...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-114920559579407786?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/114920559579407786/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=114920559579407786&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114920559579407786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114920559579407786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/06/puzzle-de-criana-04122000.html' title='Puzzle de criança - 04/12/2000'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-114886161379236086</id><published>2006-05-29T01:13:00.000+01:00</published><updated>2006-05-29T01:13:33.803+01:00</updated><title type='text'>...</title><content type='html'>Que frio...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-114886161379236086?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/114886161379236086/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=114886161379236086&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114886161379236086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114886161379236086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/05/blog-post.html' title='...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-114878514650725461</id><published>2006-05-28T03:01:00.000+01:00</published><updated>2006-05-28T03:59:06.520+01:00</updated><title type='text'>Bomba relógio</title><content type='html'>Tic...tac...tic...tac...tic...tac...tic...tac...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ruído de prisão do relógio em torno de mim. Dentro de mim a claustrofobia cega das horas. Os momentos que correm todos na direcção de um destino igual aos demais. Na direcção de um futuro previsível, estereotipado. Socialmente aceite. A cada dia que passa a sensação clara de que está tudo a encaixar-se. De que está tudo a convergir. A normalizar. A sensação de um eléctrico a percorrer Lisboa. Aparentemente livre e belo e sem amarras. Mas preso aos carris subrepticiamente. Inapelavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tic...tac...tic...tac...tic...tac... o tempo a escassear entre os dedos. O tempo a escassear para fugir deste trilho desbravado e sem perigos. O tempo a dizer-me ao ouvido que está tudo bem. Que está tudo bem e não poderia estar melhor. Que nada esteve tão bem como agora. O tempo a dar-me palmadinhas nas costas e a sorrir-me com ar complacente. E cúmplice. Mas dentro. DENTRO. Uma vozinha bem ao fundo a tentar gritar. A tentar gritar algo que não entendo sequer como um sussurro. Mas sim como um abraço terno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tic...tac...tic...tac... uma raiva surda que cresce por dentro da pele e ameaça rasgá-la (rasgar-me) a qualquer instante. Uma vontade de fugir. De fugir para muito longe. De fugir muito, muito, muito. De fugir de cabeça baixa e punhos cerrados. De fugir a direito. A direito através de muros e paredes. A direito através de tudo o que deva ser atravessado. Sem desvios e sem nunca parar. Sem nunca parar. Sem nunca parar. Até cessar o ruído infernal do toque a reunir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tic...tac...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tic...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras vezes a sensação de que. Afinal. Está tudo bem. De que são tudo ilusões e quimeras. De que basta dormir que isto passa. Pela manhã o mundo parecerá belo, asséptico, seguro, confortável, perfeito. E todos me cumprimentarão na rua com palmadinhas nas costas e sorrisos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia serei assim se me esquecer de ser eu. Serei mais um na massa informe do dia-a-dia. Sorrirei também com olhar complacente. E darei palmadinhas nas costas como quem sabe que está no local certo. No local onde tudo está bem e onde nada poderia estar melhor. Por enquanto não. Ainda tenho forças para cerrar os punhos, baixar a cabeça e fugir muito, muito, muito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[ Por todo o texto uma música a ressoar na cabeça - Fitter Happier dos Radiohead... E um verso, "A pig. In a cage. On antibiotics." ]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-114878514650725461?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/114878514650725461/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=114878514650725461&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114878514650725461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114878514650725461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/05/bomba-relgio.html' title='Bomba relógio'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-114756831513751614</id><published>2006-05-14T01:56:00.000+01:00</published><updated>2006-05-14T02:03:43.146+01:00</updated><title type='text'>Assombração</title><content type='html'>A manhã ergue-se perante os meus olhos como uma assombração. Na cara, o ar gelado, que já foi retemperador. Mas que hoje. É uma sucessão rítmica de chapadas no rosto.&lt;br /&gt;      Tudo o que dista 1 metro de mim e dos meus passos é breu. Um véu pesado e opaco cobre o mundo, como se por vergonha, como se de vergonha.&lt;br /&gt;      Caminho da luz para as trevas em busca da luz. Túnel enganador e sem retorno, a vida. Pela hora que faz imagino que a vida deva ter retomado o seu curso em algum lugar distante a mim.&lt;br /&gt;      Sinto apenas o peso do corpo sobre os pés, sobre os joelhos, sobre as ancas, sobre as costas. Sinto o peso morto da cabeça tombada no peito. E sinto na planta dos pés o arrastar de mais um passo. De mais um momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Todas as manhãs acordo e ando em frente. Ando em frente até o cansaço fazer cair a noite sobre mim. Uma noite que é um sonho comprido onde acordo e ando em frente. Ando em frente até a manhã se erguer perante os meus olhos como uma assombração. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-114756831513751614?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/114756831513751614/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=114756831513751614&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114756831513751614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114756831513751614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/05/assombrao.html' title='Assombração'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-114688238052446241</id><published>2006-05-06T02:59:00.000+01:00</published><updated>2006-05-06T03:26:20.550+01:00</updated><title type='text'>Sem [ Um conto para adormecer... ]</title><content type='html'>Acordei sem nada entre mim e os outros. Entre mim e o mundo. O céu azul. Ou branco. Ou uma mistura dos dois. Não me lembro poorque estava Sol. Nos meus olhos. Acordei sem sombra na cara. Com as pombas em redor de uma fonte. Como naúfragos num deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei cansado. Sem forças por dentro. Onde  fazem mais falta. Talvez tenha sonhado. Se sonhei devo ter gostado. Gosto sempre de sonhar enquanto durmo. Os meus sonhos têm esperanças escondidas em todas as esquinas. Os meus sonhos acordado magoam. Fujo deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei sem nada entre mim e o mundo. Sem nada entre mim e os outros. Ao abrir os olhos não apalpei almofada. Não senti cama. Não vi paredes. Nem desliguei o despertador.&lt;br /&gt;Acordei e vi o mundo a girar à minha volta. Senti o banco de pedra. Apalpei a trouxa que fizera na noite anterior. Madrugada. Quando? Com roupas mais velhas do que as que trago no corpo. Ou menos quentes. Vi paredes.  Paredes de casas antigas e montras sem rosto. Não desliguei o barulho dos carros porque não pude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei por onde começar. A loucura dos dias. Dos meses. Dos anos. Que me arrastou até aqui. Que me fez desaguar neste banco como Tâmega no Douro. Acho que. De um modo geral. Tudo aconteceu um dia ao sair do Metro. Perdi-me da multidão. Perdi-me da minha casa. Dos meus dias. E não consegui encontrar o caminho de volta. Perdi-me e fiquei preso nas ruelas de uma cidade que desconheço. Desconheço? Desconheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fui alguém. Tive um nome. E as pessoas em meu redor diziam-no. Por vezes sorrindo. Eu fui alguém. E fiz parte da raça humana. O mundo rodava na mesma direcção todos os dias e as sombras não metiam medo como cães sem trela. Tive amigos. Ou pessoas que falavam comigo. Não sei. Não me lembro da diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora não interessa. Esqueci o meu nome numas garrafas vazias. E por isso desapareci. E não culpo as pessoas que passam e não olham para mim. Porque não saberiam o que dizer com o olhar. Não quero esmolas. Sobrevivo. Nem pena. Porque a pena é triste e faz-me chorar pelos olhos que me olham. Afinal de contas sou eu que não olho as pessoas. Não me quero ver no reflexo da pupila. Deitado no vazio do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que custa é o passar do tempo. Os dias sem fim. Os dias pesados como coisas grandes. E muito pesadas. Os dias que se arrastam como se a eternidade fosse uma hora marcada. Os dias em que quero desistir. E chorar. E dormir. E se possível fechar os olhos e os ouvidos. As horas que parem outras muito a custo. Num parto doloroso e sem descanso. Os passos das pessoas que passam nos passeios. Em meu redor. Por baixo. Por cima. Por dentro de mim. Como os ponteiros infernais de um relógio universal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sol que não sobe no céu. E que depois não desce. O Sol que se cola aos dias como pastilha elástica por baixo das carteiras da escola. O Sol que me cega. E  me deixa ver as sombras de tudo. Das casas. Das fontes. Das pessoas. Das pombas. Até de mim mesmo. Cá dentro. Nos becos da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite chega como uma redenção. Cala-se tudo como por magia. O mundo adormece aos poucos e poucos. Sinto-me bem. Porque esqueço o sítio onde estou. E as estrelas são o tecto do quarto que nunca mandei pintar. Gosto da Lua como dum beijo de mãe. A aconchegar-me os lençois do coração e a fazer-me acreditar. Que não estou aqui. Sozinho. No escuro negro e sem luz da cidade. Onde em cada esquina pessoas têm medo de mim. E me metem medo. Por existirem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que não é verdade que eu esteja com fome. Que isto é só uma comichão na barriga e amanhã de manhã tomo o pequeno-almoço antes de ir para a escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que não estou cheio de frio. A bater os dentes como portas de casas. Que se fecham com o seu calor lá dentro. O calor das pessoas que me fogem como gatos de cão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que este banco não é duro. É um colchão. Que não precisa de ser mole. Basta que não me fira as costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que amanhã de manhã vou acordar protegido do mundo por betão e tijolo. E vidros. E portas. E um lençol talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que alguém se vai lembrar. Do nome que esqueci. Do caminho de casa que perdi. E me vai abraçar. Ensinando-me o caminho de volta. Deste bosque de sombras onde ando em círculos cada vez mais pequenos. Cada vez mais apertados. Cada vez mais sem esperança. Cada vez mais zonzo. Até cair. Sem nada entre mim e o mundo. No asfalto sem vida desta cidade deserta. Onde serei espezinhado. Sem ser visto. Ou lembrado. Até à morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2005. Mais um texto ficcionado sobre um Sem]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-114688238052446241?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/114688238052446241/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=114688238052446241&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114688238052446241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114688238052446241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/05/sem-um-conto-para-adormecer.html' title='Sem [ Um conto para adormecer... ]'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-114688066442662582</id><published>2006-05-06T02:57:00.000+01:00</published><updated>2006-05-06T02:57:44.426+01:00</updated><title type='text'>Medo</title><content type='html'>O vento frio que nos percorre por dentro da pele quando. O medo. Aparece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-114688066442662582?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/114688066442662582/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=114688066442662582&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114688066442662582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114688066442662582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/05/medo.html' title='Medo'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-114688053530145206</id><published>2006-05-06T02:48:00.000+01:00</published><updated>2006-05-06T02:58:24.166+01:00</updated><title type='text'>Sem milagres</title><content type='html'>Para mim qualquer palavra é um milagre. É o problema de falar tão pouco. É o problema de pensar tão pouco.&lt;br /&gt;Cada palavra aparece como uma inspiração divina. É por isso que escrevo com unhas e dentes, agarrado às palavras que me cruzam o cérebro, como comboios pendulares, de tempos a tempos. Quando não as consigo segurar, devido à velocidade com que vêm, atiro-me para a frente delas. E sou então atropelado por toneladas de aço feitas palavras desconexas, retorcidas, cinzeladas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procuro palavras novas. Palavras que todos conhecem. Menos eu. Palavras que nunca escrevi em lado nenhum porque não estão no saquinho das palavras que guardo comigo desde que me conheço.&lt;br /&gt;Às vezes aproprio-me de palavras gastas como se fossem a Salvação. A Redenção. A Ressurreição.&lt;br /&gt;Outras vezes as palavras perdem a magia e devolvo-as à escuridão negra do saco sem fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho nada comigo. Ne letras. Nem palavras. Nem sonhos. Nem desilusões. Sou uma pessoa fechada. Que se deixa existir vezes demais. E se entrega nos braços atrofiantes do ócio mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim. Qualquer palavra. É um milagre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Há cerca de um ano atrás. Nestes dias as palavras ainda custam mais a segurar do que nessa altura. Não passam comboios...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-114688053530145206?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/114688053530145206/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=114688053530145206&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114688053530145206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114688053530145206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/05/sem-milagres.html' title='Sem milagres'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-114308376886633199</id><published>2006-03-23T03:13:00.000Z</published><updated>2006-03-23T03:16:08.866Z</updated><title type='text'>Foi assim.</title><content type='html'>Há um ano. Talvez mais? Descobriram a avioneta destroçada de Saint-Exupéry. Não sei onde. Não me interessa. Desde que percebi que não foi numa estrela a brilhar no escuro do céu ou num planeta distante, tudo me pareceu sem sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prefiro pensá-lo a subir nos céus, a meio do voo, como o seu amigo. E um avião sem condutor a beijar o planeta Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2005]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-114308376886633199?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/114308376886633199/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=114308376886633199&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114308376886633199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114308376886633199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/03/foi-assim.html' title='Foi assim.'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-114308349811974663</id><published>2006-03-23T03:10:00.000Z</published><updated>2006-03-23T03:11:38.133Z</updated><title type='text'>Presente</title><content type='html'>Que pena. Não poder recortar o presente como uma notícia de jornal. E guardá-lo no bolso do casaco. Numa gaveta do quarto. Para reviver um pouco mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando já não houver presente. Para desembrulhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2005]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-114308349811974663?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/114308349811974663/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=114308349811974663&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114308349811974663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114308349811974663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/03/presente.html' title='Presente'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-114299659565580360</id><published>2006-03-22T03:01:00.000Z</published><updated>2006-03-22T03:04:15.070Z</updated><title type='text'>Delírio...</title><content type='html'>Ah, ah, ah! A vida é uma sinfonia de flores que nos rebenta na cara quando menos se espera. E tudo o resto são pedaços de papel que alguém escreveu um dia e atirou do mais alto pehasco, ao vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2005]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-114299659565580360?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/114299659565580360/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=114299659565580360&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114299659565580360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114299659565580360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/03/delrio.html' title='Delírio...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-114299646149571154</id><published>2006-03-22T02:52:00.000Z</published><updated>2006-03-22T03:01:01.496Z</updated><title type='text'>Não quero saber.</title><content type='html'>Não sei. Não quero saber. Tenho raiva de quem sabe. Era assim que dantes. (Dantes). O orgulho e a curiosidade magoada respondiam a qualquer pergunta. Que não se sabia. Que não se queria. Deixar responder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje. Não sei. Não quero saber. Tenho raiva de quem sabe. O que fazer com a vida. E traça um rumo. E tem planos. E faz contas. E apaga. E volta a escrever. Tenho raiva de quem tem objectivos. E força para lutar por eles. A força que me falta como uma peça de um puzzle que se perdeu no dia em que se comprou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tanta gente com forças loucas. Obsessivas. Imparáveis. Fulgurantes. E eu nada. Aqui parado. Fechado neste quarto estanque ao mundo. Isolado como numa prisão. Na solitária. Sem chave. Nem forças para atravessar a porta. Que está. Sempre esteve. Escancarada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2006]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-114299646149571154?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/114299646149571154/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=114299646149571154&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114299646149571154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114299646149571154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/03/no-quero-saber.html' title='Não quero saber.'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-114299573943379853</id><published>2006-03-22T02:38:00.000Z</published><updated>2006-03-22T02:48:59.446Z</updated><title type='text'>Amputados</title><content type='html'>Dantes eram os dias sem fim. Dantes era o Sol que não terminava. Que não se punha. Durante dias a fio, suspenso na claridade do teu olhar. Dantes era a beira-mar com cheiro a mar. A beira-mar com cheiro a maré-vazia. A areia a desaparecer por baixo de nós no espaço definido dos pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dantes era a sombra de uma qualquer árvore quando queríamos sombras e árvores. Era o chilrear de pássaros a levar-nos de mão dada até ao local dos sonhos belos. Dantes eram veredas que as copas das árvores inventavam e os raios de Sol tentavam rasgar, deixando no ar pedaços de magia intangível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dantes era o teu braço no meu. O meu braço no teu. A minha mão na tua. A tua mão na minha. Até ao fim dos nossos passos. Até ao fim dos nossos passos que não há-de vir .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que agora eu sem pernas. Gasta. Velha. Sentada numa cadeira. Gasta. Velha. E tu atrás de mim de mãos gastas. Velhas. A empurrares o meu corpo sentado e sem pernas. Gasto e velho. Pelas memórias doces dos dias de ontem. Tu. Gasto e velho. A fazeres nascer dos meus cotos abandonados. As pernas fortes e sãs que um dia. Para nunca me sentir gasta e velha. Me levaram até ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Fevereiro 2006... A um casal que encontro por vezes... ele a passeá-la na cadeira de rodas... sempre o mesmo pecurso à mesma hora... ela calada e ausente... ele calado e ausente... ela sem pernas... ambos sem mostras de presente nos gestos... não sei se absortos em memórias do que um dia foi... olho para eles e vejo Amor.]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-114299573943379853?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/114299573943379853/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=114299573943379853&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114299573943379853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114299573943379853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/03/amputados.html' title='Amputados'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-114259840534904815</id><published>2006-03-17T12:26:00.000Z</published><updated>2006-03-17T12:26:45.363Z</updated><title type='text'>Gávea</title><content type='html'>Hoje. Enquanto olhava as pessoas no Shopping. Enquanto olhava as vidas do topo da minha cadeira, junto à varanda, no Shopping. Enquanto comia e olhava as pessoas que comiam. Que sorriam. Que se abraçavam. Que se beijavam. Que conversavam. Que se amavam. Que se detestavam. Que se insinuavam. Que miravam as montras das lojas. Que entravam de mãos vazias e saíam, à vez, com elas cheias e vazias. Que caminhavam indefinidamente ou com um destino traçado. Que levavam os seus filhos pela mão. Que esperavam encostadas ao vazio aparente do dia. Que se agrupavam. Que agiam e reagiam na sinfonia constante do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje. Enquanto olhava as pessoas no Shopping. As pessoas que continuo a olhar. Ouvi alguém. Na distância do dia. Chamar pelo meu nome. Nessa altura levantei o olhar da mesa da refeição. Levantei o olhar das pessoas todas que latejavam em meu redor. E. Do topo da minha cadeira, junto à varanda, no Shopping. Procurei alguém inexistente, com os olhos a serem a minha alma toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como não vi ninguém, um arrepio desceu. Ou subiu. Pelas costas. E fez-me sentir. Sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23-02-2006... [CCC]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-114259840534904815?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/114259840534904815/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=114259840534904815&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114259840534904815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114259840534904815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/03/gvea_114259840534904815.html' title='Gávea'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-114056916922500091</id><published>2006-02-22T00:31:00.000Z</published><updated>2006-02-22T00:46:09.250Z</updated><title type='text'>Memórias</title><content type='html'>Não tenho paciência para gastar linhas atrás de linhas. Como rolos de papel higiénico. Não consigo seguir o fio. Lógico. Frio. Calculista. Do pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha mão foge. De mim. Como eu dos cães ao vir da escola. Lá nos dantes onde tudo era nevoeiro e céu limpo ao mesmo tempo. Escrevo como quem lavra a terra ao amanhecer. Como tu avô. Muito mais cedo que eu. Muito mais cedo que vós de olheiras falsas nos comboios pela manhã. Tão cedo como se a noite fosse um sonho mau que para ti não existia. Escrevo suando como quem apanha as batatas do campo grande. Em frente da tua casa. Ou como se procurasse os tortulhos no pinhal com os meus pais nos fins-de-semana diferentes de outro tempo. Nunca os apanhei. Procurava-os como quem acreditava que crescessem nas árvores. Ou nos bicos dos pássaros. Mas doía essa busca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como dói isto. Hoje. A dor sem cor. Que é uma libertação forçada. Um salto para o abismo. Quando tudo o resto parece cair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As folhas do Outono espalhadas pelo chão do jardim. Castanhas como a cor dos teus olhos. Olhos como não há. Fora de ti. Só as folhas no chão. Que gostas de pisar porque estalam. Secas. Só elas têm a cor dos teus olhos. Os ramos das árvores como mãos seculares. Sem abraços. Sem apertos de mão. Aconchegam mais do que sorrisos gastos. Em todo o lado. A toda a hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O baloiço no parque. A areia solta. A areia presa. Os cavalinhos sem cor. Azuis. Vermelhos. Amarelos. Cor de alumínio ou ferro. Os cavalinhos que desapareceram quando o parque virou parque de estacionamento. E eu deixei de poder ir jogar futebol sozinho. Para lá. Enquanto tu andavas nos cavalinhos. Ou no escorrega. Ou no baloiço se eu estivesse a olhar para ti. De preferência a teu lado. Porque és pequenina e podes passar sem querer à frente de um baloiço com alguém dentro. Ou podes cair. Agora já ninguém cai. Nem pode empurrar os cavalinhos como eu empurrava para tu andares depressa. Mais depressa. Até eu e tu pensarmos que voavas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não vou voltar a jogar lá. Mas jogo aqui. No ringue da minha memória guardo os restos dos locais que me fizeram crescer. Dia após dia. Com o amor e o carinho dos meus pais tudo foi fácil. Não me lembro de coisas más. Só da alegria extasiante dos fins de tarde desocupados. Que ocupava invariavelmente. Da melhor maneira. Da minha. A fazer tudo o que me apetecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora. Aqui. Hoje. Cansei-me desta caneta e deste papel. Já não me apetecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[ 2005. Avô. Princesa. Maninha ]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-114056916922500091?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/114056916922500091/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=114056916922500091&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114056916922500091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114056916922500091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/02/memrias.html' title='Memórias'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-114056822545879251</id><published>2006-02-22T00:27:00.000Z</published><updated>2006-02-22T00:30:25.456Z</updated><title type='text'>(Des)aprendizagem</title><content type='html'>A vida tem-me desensinado tantas coisas. Tenho perdido tanto do que aprendi com o passar do tempo. Sinto-me senil nesta hora da madrugada, sem ninguém a meu lado para ouvir aquilo que esqueço, a cada momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2005]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-114056822545879251?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/114056822545879251/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=114056822545879251&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114056822545879251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114056822545879251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/02/desaprendizagem.html' title='(Des)aprendizagem'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-114056802274112457</id><published>2006-02-22T00:24:00.000Z</published><updated>2006-02-22T00:30:42.666Z</updated><title type='text'>Além do mar</title><content type='html'>Além do mar sem fim, onde monstros loucos de assustar o medo. Onde trevas devoradoras e sombras de infinito.&lt;br /&gt;Além desse mar negro e sem esperança. Como as portas escancaradas do Inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso fomos nós. Fomos nós com a força impensável de uma nação sem tamanho. Fomos nós com a alma pura e o coração preparado.&lt;br /&gt;Fomos nós e acendemos uma luz nos breus da imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2005]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-114056802274112457?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/114056802274112457/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=114056802274112457&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114056802274112457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114056802274112457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/02/alm-do-mar.html' title='Além do mar'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-114056781069515208</id><published>2006-02-22T00:13:00.000Z</published><updated>2006-02-22T00:23:30.733Z</updated><title type='text'>Não crescer</title><content type='html'>Um dia chorei muito. De noite na cama. Porque não queria crescer. Ser adulto. Tenho vivido agarrado a essa crença como um naúfrago a um resto de madeira. Adio conscientemente o meu futuro. Sempre que ele me toca à campainha assobio para o lado. E corto pela raíz qualquer contrasenso ao meu pensamento pueril.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou feliz assim. Cresci por fora. Ossos. Músculos. Tendões. Ligamentos.  Por dentro estoi eu. Igual a mim. Desde sempre talvez. Posso até dizer que irredutível como uma pequena aldeia gaulesa na França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou deixar. Que o tempo pegue em mim e me molde nas mãos. O meu corpo não tem valor. Mas eu. Por dentro. Não serei vencido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2005]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-114056781069515208?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/114056781069515208/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=114056781069515208&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114056781069515208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114056781069515208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/02/no-crescer.html' title='Não crescer'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-114013354491863877</id><published>2006-02-16T23:43:00.000Z</published><updated>2006-02-16T23:45:44.930Z</updated><title type='text'>As manhãs...</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 18pt;"&gt;Ontem remexi nas coisas do quarto. O meu quarto parece um cemitério de ideias. E um depósito de dias passados. Não há muitos vestígios de futuro no quarto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 18pt;"&gt;Ontem. Hoje. Dormi 2 horas. Quem me dera não precisar de mais. Levantei-me da cama como se partisse para mais uma batalha sem tréguas. Como se? Que ingenuidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 18pt;"&gt;O dia veio acordar-me com dedos muito brancos e uma luz intensa que me fez desviar o olhar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 18pt;"&gt;Ontem foi o dia mais longo do ano. A entrada do Verão. Fiz dele também a noite mais longa. A lua cheia como grávidas nas consultas. As nuvens em redor como farrapos de sonho. A janela fechada do quarto. A negar-me impulsos de lobo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 18pt;"&gt;Ontem embrulhei-me &lt;st1:personname productid="em mim. Uma" st="on"&gt;em mim. Uma&lt;/st1:PersonName&gt; vez mais. Como tantas outras vezes. Sinto-me hoje como saído de uma má digestão. Estou torcido e amarrotado. Que pena não me poder deixar no cesto da roupa suja. Que não tenho. Nem sei porquê.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 18pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 18pt;"&gt;Talvez para a manhã custar um pouco menos a suportar.&lt;/p&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Escrito em 22/06/2005...ou algo assim]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-114013354491863877?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/114013354491863877/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=114013354491863877&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114013354491863877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/114013354491863877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2006/02/as-manhs.html' title='As manhãs...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-113479275828398714</id><published>2005-12-17T04:11:00.000Z</published><updated>2005-12-17T04:12:38.283Z</updated><title type='text'>Cromos repetidos...</title><content type='html'>Os dias seguidos, iguais, repetidos como os cromos mais fáceis das cadernetas que tive. Os dias que ninguém pode trocar comigo no recreio da escola, atados com um elástico castanho guardado religiosamente para o efeito. Os dias com os quais não posso organizar campeonatos do mundo no tapete do meu quarto antigo, com formas onde imaginava um campo de futebol, e onze dias repetidos de cada lado, com balizas semelhantes e desempates por penalties quando o marcador não avançava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias seguidos, iguais, repetidos como os cromos mais fáceis das cadernetas que tive.&lt;br /&gt;Só que inúteis como os cromos que colei em cadernetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Julho / 2005 ]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-113479275828398714?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/113479275828398714/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=113479275828398714&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113479275828398714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113479275828398714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2005/12/cromos-repetidos.html' title='Cromos repetidos...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-113479233265530528</id><published>2005-12-17T04:04:00.000Z</published><updated>2005-12-17T04:05:32.666Z</updated><title type='text'>Hoje não...</title><content type='html'>As suas análises estão boas. Não tem problema de rins, de fígado, de anemia. Também não tem infecção. É pena não se ver aqui a sua alma. Neste papel branco cheio de números e palavras incompreensíveis. Nada me mostra a dor que lhe vai na alma. Os medos. As frustrações. Não lhe posso avaliar. Aliviar. Os pesos que guarda por dentro. A anemia da alma. A infecção escondida numa desilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma. Da vida. Não me olhe nos olhos  como se o mundo acabasse amanhã e eu fosse a sua única esperança. Noutro dia talvez. Sei ouvir bem. Alivio as dores. Sou um bom relaxante. Hei-de mudar de nome para uma benzodiazepina. Mas hoje não. Doem-me os olhos. Só vejo o que me está à frente da cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E à frente da cara. Apenas o branco hipócrita do papel salpicado de números vazios. Dentro dos limites. Como dentro das quatro linhas a bola. E a minha mão que corre. E assinala. Sem alterações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( Por dentro a dor sem fim. O choro todas as noites. A solidão. O desespero. A tendência para se magoar. A terrível descrença na vida. E a minha mão surda. Os meus olhos cegos. Sem alterações. Como uma sentença de morte.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Julho / 2005]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-113479233265530528?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/113479233265530528/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=113479233265530528&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113479233265530528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113479233265530528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2005/12/hoje-no.html' title='Hoje não...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-113322567212837382</id><published>2005-11-29T00:51:00.000Z</published><updated>2005-11-29T00:54:32.136Z</updated><title type='text'>Na areia deserta</title><content type='html'>Depois que te foste embora os dias cresceram em mim como heras em fachadas de casas esquecidas. Perdi-te há tanto tempo que talvez tenhas partido só ontem. Estás tão perto como se tivesses partido há séculos. Rebolo-me na areia deserta da praia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( Em criança. Sempre que saía da água atirava-me para a areia solta e rolava. Rolava. Rolava. Até não haver. Até me parecer não haver. Um pedaço de pele despido de areia. E depois a corrida para a água e tudo outra vez. E tudo outra vez até o cansaço anunciar o pôr-do-Sol e o regresso )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;à tua procura. Mas não vejo nada para além da solidão da maré. Não vejo nada para além do frio nos pés. Não vejo nada para além do guinchar de uma gaivota na distância invisível. Não vejo nada e se mãos na cara apenas para fugir de mim. A areia gasta no meu corpo. O meu corpo gasto na areia onde. Ontem? Há um ano? Há uma década? Onde mergulhámos as mãos. E as demos. E as deixámos ficar entrelaçadas debaixo do areal. E vimos o luar sobre as águas iluminar um barco ao longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto foi apenas o resto. Guardámos o nosso amor nesta praia. Para nunca o perdermos. Disseste que para nunca o perdermos. Disse que para nunca o perdermos. Onde está? Digo. Aqui? Além ao fundo? Nada. Apenas uma gaivota a guinchar. Agora visível e feia. E eu feio. Com areia colada ao corpo e sem a esperança de criança para correr para a água e recomeçar tudo outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19/11/2005 06:00&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-113322567212837382?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/113322567212837382/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=113322567212837382&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113322567212837382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113322567212837382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2005/11/na-areia-deserta.html' title='Na areia deserta'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-113305352780345733</id><published>2005-11-27T01:04:00.000Z</published><updated>2005-11-27T01:05:27.816Z</updated><title type='text'>Fim...</title><content type='html'>A vida seca os rios que trazemos em nós. Sou o leito seco do que fui um dia. Se não há forças. Se não há forças para moldar o mundo com as mãos gretadas de hoje. Porquê o brilho prometedor. Vivo. A confrontar-me no canto do espelho? Porque não o olhar baço de quem já foi? De quem já foi e não torna mais. Porque não sabe o caminho. Porque não há caminho. Porque não há sítio para onde voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato que trago ainda colado ao corpo está-me largo. Rasgado. Tem tecido entre os buracos. E no entanto continua a ser um fato. E ninguém me dá a mão quando. Na rua. Estendo a minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei lá quem sou. Um dia soube ser tudo o que quiserem. Fui. Tudo o que quiserem. Tudo o que quiserem. Hoje não sei ser nada. Nem sei ser nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando já não restava nada. Quando o caminho me tinha já atirado para fora de todos os caminhos que me podiam salvar. Quis ser solidão. Quis ser silêncio. E nem assim me reencontrei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partirei um dia. Quando o meu corpo se desprender deste fato que não se desfaz por teimosia. Partirei um dia e dirão que. Um dia. Soube ser tudo o que quiseram. Fui. Tudo o que quiseram. Tudo o que quiseram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada importa. A verdade é que. Um dia. Muito antes de partir. Deixei de ser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-113305352780345733?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/113305352780345733/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=113305352780345733&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113305352780345733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113305352780345733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2005/11/fim.html' title='Fim...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-113287197874941834</id><published>2005-11-24T22:37:00.000Z</published><updated>2005-11-27T01:07:22.366Z</updated><title type='text'>Barba</title><content type='html'>Quando deixo crescer a barba não é a barba que deixo crescer, mas dias. Quando me olho ao espelho e pêlos negros a pintarem-me a cara de fuligem, vejo os dias que passaram. Os dias que passei. Longe de mim.&lt;br /&gt;Trago na cara os dias que foram e nas mãos guardo os dias que serão. Se passo pelos dias como quem está sempre atrasado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Coelho branco da Alice no País das Maravilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se passo pelos dias a correr como quem está sempre atrasado. Quero que os dias me marquem de qualquer forma. E só no rosto por barbear me asseguro de existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24/11/2005 - 04.55&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-113287197874941834?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/113287197874941834/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=113287197874941834&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113287197874941834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113287197874941834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2005/11/barba.html' title='Barba'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-113270336113633499</id><published>2005-11-22T23:48:00.000Z</published><updated>2005-11-22T23:49:21.153Z</updated><title type='text'>Infertilidade</title><content type='html'>Infertilidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pessoas estéreis, como vales sem sombra.&lt;br /&gt;Rios que correm loucos, sem mar para desaguar.&lt;br /&gt;Há pessoas vazias. Ocas como ramos partidos.&lt;br /&gt;Dons Quixotes sem elmo. Sem cavalo. Sem Dulcineia.&lt;br /&gt;Sobra um vazio de morte na viragem dos dias.&lt;br /&gt;Um silêncio de mil crianças enche a casa. Vazia.&lt;br /&gt;Choram passos perdidos na cela das noites.&lt;br /&gt;Sonhos mutilados. Abortos espontâneos de nós.&lt;br /&gt;Há pessoas estéreis, como vales sem sombra.&lt;br /&gt;Órfãs de filhos, que jamais nascerão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Abril ou Maio de 2005]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-113270336113633499?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/113270336113633499/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=113270336113633499&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113270336113633499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113270336113633499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2005/11/infertilidade.html' title='Infertilidade'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-113261487584930257</id><published>2005-11-21T23:12:00.000Z</published><updated>2005-11-21T23:14:35.850Z</updated><title type='text'>Longe...</title><content type='html'>Se eu pudesse. Com as mãos que tenho. Com os olhos. Com o nariz. Com a boca. Com os ouvidos. Que tenho. Ser diferente de mim. O mundo multiplicava-se em dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E. Então. Em nenhum deles eu me sentiria só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Florença, 19/09/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-113261487584930257?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/113261487584930257/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=113261487584930257&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113261487584930257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113261487584930257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2005/11/longe.html' title='Longe...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-113261457556918187</id><published>2005-11-21T23:06:00.000Z</published><updated>2005-11-21T23:09:35.580Z</updated><title type='text'>Homeostasia</title><content type='html'>A qualquer hora. Em qualquer lugar. Há sempre alguém. Em todo este mundo vasto e sem nome. Que é totalmente feliz.&lt;br /&gt;E do outro lado do coração. Não do outro lado do mundo. Do outro lado do coração. Há alguém que é totalmente infeliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo é um enorme ser vivo. Homeostático. E é por isso que. Alguém. Do outro lado do mundo. Há-de dizer que tudo isto é uma mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roma, 21/09/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-113261457556918187?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/113261457556918187/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=113261457556918187&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113261457556918187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113261457556918187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2005/11/homeostasia.html' title='Homeostasia'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-113252265640118276</id><published>2005-11-20T21:28:00.000Z</published><updated>2005-11-20T21:37:36.416Z</updated><title type='text'>Os meus olhos</title><content type='html'>Os meus olhos diferentes de olhos. Os meus olhos que não olham para as coisas como se olha para as coisas. Que olham para as coisas como se as procurassem. As atravessassem. As esquecessem. No mesmo instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus olhos que prendo no vazio de qualquer local. Que vagueiam por multidões de olhares como por um deserto sem oásis. E se demoram em silêncios que não consigo explicar. E me embaraçam na frieza das ruas de Inverno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus olhos quase negros como noite sem luar. Quase profundos como a dor da ausência. Os meus olhos diferentes de olhos. A desenrolarem nas distâncias horizontes distintos. A projectarem na tridimensionalidade do espaço ecos vagos do que trago. Tatuado. Por dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus olhos tantas vezes vazios. Vazios como se ocos. Vazios como se virados para dentro de mim. Vazios como se dentro de mim também um vazio oco e sem nome. Vazios como vasos vazios de flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus olhos muito abertos. Arregalados como se o mundo se reinventasse a cada instante. Como quem nunca aprendeu a habituar-se às coisas às quais é necessário habituar-se. Os meus olhos sem passado. Sempre espantados no presente primordial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus olhos diferentes de olhos. Os meus olhos que não olham para as coisas como se olha para as coisas. Que olham para as coisas com o olhar que as coisas teriam se olhassem para nós...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20/11/2005 06:12&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-113252265640118276?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/113252265640118276/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=113252265640118276&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113252265640118276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113252265640118276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2005/11/os-meus-olhos.html' title='Os meus olhos'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-113211458665336358</id><published>2005-11-16T04:11:00.000Z</published><updated>2005-11-16T04:22:07.146Z</updated><title type='text'>Era Verão... [ O início de um conto, ou algo maior...não sei ]</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Era Verão e éramos jovens. As aulas tinha acabado há pouco tempo e os dias de Junho arrastavam-se como se a eternidade coubesse toda dentro deles. Cada acordar era mais bonito que o anterior, agora que o som do giz no quadro de ardósia não nos aguardava numa sala fechada. Não tínhamos obrigações para lá da obrigação natural de sermos felizes. Atacávamos cada novo dia como se nunca tivéssemos estado vivos antes. Como se em cada cantar do galo se renovasse em nós a chama inapagável da curiosidade. Nessa altura quase todos os caminhos iam dar ao regato que passava no meio da aldeia. À hora certa, que todos sentiam sem a saberem de facto, cada um dos rapazes da aldeia tomava o caminho que levava à sombra das árvores grandes. À frescura das pedras molhadas. Ao regato onde todo o mundo se reinventava. Pelo trajecto, quase sempre, deixávamos árvores mais leves e terras mais despidas. Da batalha restavam apenas caroços arremessados às silvas, umas quantas nódoas na roupa e, por vezes, amoras esquecidas no fundo dos bolsos. Não havia nada que nos tirasse melhor a fome do que o caminho para o regato e isso via-se naquilo que deixávamos por comer, todas as manhãs, em casa. Melhor só mesmo o fluir das águas serenas do regato sobre os nossos pés. E largarmos a correr para a água depois da roupa atirada para um canto qualquer. Sem olhar para trás. Sem olhar para trás porque em frente estava o paraíso.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-113211458665336358?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/113211458665336358/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=113211458665336358&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113211458665336358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113211458665336358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2005/11/era-vero-o-incio-de-um-conto-ou-algo.html' title='Era Verão... [ O início de um conto, ou algo maior...não sei ]'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-113194276571621649</id><published>2005-11-14T04:29:00.000Z</published><updated>2005-11-14T04:32:45.726Z</updated><title type='text'>Escondo a cara...</title><content type='html'>Escondo a cara na distância entre o sim e o não. Nas mãos trago pedaços de ontem. Anteontem nos bolsos. O amanhã esconde-se no meu olhar. Não sei o que faria sem ti. Trago-te tatuada em mim. A areia de ontem brinca-me entre os dedos. O teu olhar cheira a pôr-do-Sol. Há luar na alvura do teu peito. Na boca trago a tua pele macia. Na minha teus dedos de cetim. O nosso silêncio amanhece no teu sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                              [ Escrito em 2002 ou 2003. Não sei. ]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-113194276571621649?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/113194276571621649/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=113194276571621649&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113194276571621649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113194276571621649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2005/11/escondo-cara.html' title='Escondo a cara...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-113089738856482647</id><published>2005-11-02T02:09:00.000Z</published><updated>2005-11-02T02:51:00.030Z</updated><title type='text'>No fim...</title><content type='html'>A sensação que fica no fim. Quando tudo termina. E cessa o temporal. O temporal. Avassalador da paixão. Quando nos teus braços o mundo morre. Quando nos nossos braços matamos o mundo por um instante redentor. Cegos de amor. Cegos de desejo. Cegos de eternidade. Para o vermos renascer no instante seguinte. Órfão de nós. E da nossa entrega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensação que fica no fim. Quando tudo termina. Como se ao olhar para ti não te reconhecesse. Como se não houvesse nada para dizer entre os dois. Como se. Depois de passado o temporal. Ele te devesse ter arrastado para muito longe. Para onde os meus olhos não tivessem que. Mergulhar na imensidão sem fim dos teus. E perceber que brilham ainda. Brilham ainda. Sem medo dos silêncios que agora nascem do nosso suor. Sem medo do espaço vazio que agora cresce entre nós com a consistência de um muro. Transparente. De betão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( Não sei se te acredite. Não sei se te deixe rasgar-me a pele. Para que escrevas nela o teu nome. Como na areia da praia se escreve o nome de quem se ama. Eu escrevi. Mas faz tanto tempo. Tanto tempo. E hoje não sei se se apagou quando voltei as costas. Com a primeira onda. Ou se resiste ainda. Fóssil de amor numa praia que não esqueci. Não sei. E não me olhes como se o mundo inteiro fosse acabar sem nós. Não me olhes como se não tivesse acabado já. Não me digas que não sentiste. Que não sentes. A tristeza que fica no fim. Quando tudo termina. A mesma que me impede de continuar a olhar para o teu rosto. Não me digas que sabes que o brilho do teu olhar é mais forte do que o muro que tento... transparente ...erguer em meu redor. Não sei se confie que não matamos o mundo ainda há pouco. Que há mais luz para lá desse instante irrepetível. Ainda que assim seja. Não sei se me queime no teu fogo. E arda contigo numa chama. Que dizes. Não terá fim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... Ainda que assim seja. Ficarei preso a ti por laços que nada poderá quebrar. E as tuas ausências hão-de me doer mais do que murros no estômago. Tudo em meu redor me fará lembrar o teu rosto. E nada. Nada. Me poderá consolar enquanto não regressares. Nem a vida. Nem. A vida. )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensação que fica no fim. Quando tudo termina. E procuro o teu olhar. E te sorrio. E te abraço. E a nossa vida futura se inventa nas palmas das nossas mãos. Com uma casinha branca. Um jardim com uma árvore grande e um pneu a baloiçar de um ramo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem silêncios ou muros transparentes. Só. Ao fundo. Uma &lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/0/7874/1024/Vero%202005%20%28444%29.jpg"&gt;cerca&lt;/a&gt; de &lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/0/7874/1024/Vero%202005%20%28443%29.jpg"&gt;madeira&lt;/a&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-113089738856482647?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/113089738856482647/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=113089738856482647&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113089738856482647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113089738856482647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2005/11/no-fim.html' title='No fim...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-113039380325117118</id><published>2005-10-27T06:54:00.000+01:00</published><updated>2005-10-27T07:16:43.280+01:00</updated><title type='text'>Noites brancas</title><content type='html'>São 7 horas da manhã e eu sem sono. Eu. Ainda. Sem sono. Trago agarrados ao corpo os destroços de um dia que ainda não consegui terminar. Sou navio abandonado sem conseguir içar âncora. Para rumar a um novo dia.  Estou ancorado. Acordado. Há tanto tempo que perdi a noção das horas. A sensação dos lençóis debaixo do corpo. A suavidade da almofada debaixo da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( A raiva de não ter nascido igual aos demais. A raiva de querer ser sempre diferente. De não ter leis que me prendam os movimentos. De ser livre como vento em alto mar. E agora isto. Preso nas horas trocadas da vida. Durmo quando todos acordam. Acordo quando todos dormem. Uma solidão sem nome. Sem rosto. Sem mãos que me toquem e me digam que está tudo bem. E que lá fora apenas um dia de Sol. Não uma noite ventosa e sem estrelas. Um dia de Sol e pássaros a cantar. Que só não oiço porque o comboio que passa faz muito barulho e eles  esvoaçam para outras árvores. Sem braços que me abracem e me façam festas no cabelo enquanto. Uma lágrima. Agradecida. Rola pelo rio da minha face. Até ao ombro invisível que me falta. )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio dos dias como se deixasse a pele em cada um. Como se viver custasse muito. Muito. Chego à noite vergado. E atravesso a noite como um calvário. Carregando aos ombros a cruz de ser quem sou. Sem ninguém para salvar no fim do caminho. Onde. Me morro. Dia-a-dia. Um pouco mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-113039380325117118?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/113039380325117118/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=113039380325117118&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113039380325117118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113039380325117118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2005/10/noites-brancas.html' title='Noites brancas'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-113021325255428791</id><published>2005-10-25T05:01:00.000+01:00</published><updated>2005-10-25T05:07:32.560+01:00</updated><title type='text'>Eu. Aqui?</title><content type='html'>Os olhos abertos. A mão suspensa no ar. Como quem escuta o que não se pode escutar. Como quem entende para lá das coisas. Há dias em que não sei ser eu. Não sei pegar em mim e colocar-me dentro deste paraíso. Que é. A vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correm horas. Dias. Semanas. E estive em qualquer lado. Tive que estar em qualquer lado! Mas não aqui. Não em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abro os olhos. De surpresa. Por ver pele. E dedos. E mãos. E peito. E pernas. E braços. E tronco. E pés. Abro os olhos de surpresa por me ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E gostaria de. Um dia. Entender como. E porquê. Gira o mundo em meu redor. Como se eu devesse girar também. Como se eu devesse dançar. E não sei. Não quero saber dançar. O mundo que dance sem mim. Só preciso de. Uma caneta. E de ti. Meu amor. De ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Escrito não sei quando. Não hoje.]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-113021325255428791?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/113021325255428791/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=113021325255428791&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113021325255428791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/113021325255428791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2005/10/eu-aqui.html' title='Eu. Aqui?'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-112925980816647029</id><published>2005-10-14T04:15:00.000+01:00</published><updated>2005-10-14T04:16:48.170+01:00</updated><title type='text'>Nada de novo</title><content type='html'>Nada de novo - 17/5/2000&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que trouxemos de novo?&lt;br /&gt;Que revolução mirabolante provocámos?&lt;br /&gt;Em que diferimos do nosso povo?&lt;br /&gt;Que obras de arte criámos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que produzimos de original?&lt;br /&gt;Que novas ideias despertámos?&lt;br /&gt;Em que diferimos do normal?&lt;br /&gt;Que dilemas da vida solucionámos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que quisemos dizer?&lt;br /&gt;Quando nos faltaram as palavras&lt;br /&gt;E não nos conseguiram entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que nos viemos a tornar?&lt;br /&gt;Quando nos perdemos dentro de nós&lt;br /&gt;E não nos deixámos encontrar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-112925980816647029?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/112925980816647029/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=112925980816647029&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/112925980816647029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/112925980816647029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2005/10/nada-de-novo.html' title='Nada de novo'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-112891226150692543</id><published>2005-10-10T03:06:00.000+01:00</published><updated>2005-10-10T03:49:48.783+01:00</updated><title type='text'>O silêncio das coisas...</title><content type='html'>A vida é feita de silêncios. De silêncios. Não consigo pensar em melhor coisa para se dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto tudo o resto cansa. Quando tudo magoa. Quando tudo o que faz doer cresce sobre nós como uma sombra do medo. Que nos impele para o canto mais escuro da vida a tiritar de frio de encontro aos vazios de morte dentro de nós. Nestas alturas prefiro o silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando tudo é Sol. E vida. E saltamos dentro de nós como quem vê o mundo pela primeira vez. Quando andamos nas ruas da cidade como quem anda pelos campos verdejantes da infância. Quando sorrimos. E o mundo inteiro foi feito para nós. Só para nós. Ainda nestas alturas. O melhor que tenho a dizer é o silêncio quente dos lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio completo como uma gota de água. Esfera perfeita. Suspensa no ar. A preto e branco. Onde vemos reflectido o mundo todo. E nós de fora da esfera perfeita a olhar para ela. O silêncio completo como uma gota de água. Suspensa no ar. Como se o tempo se rasgasse e pudessemos recolher imagens soltas na palma da mão. Como se o Universo inteiro cristalizasse. Quebrar o silêncio com palavras profanas é o estilhaçar de vidro da gota a tocar o chão. É o preto e branco desfazer-se. E o mundo voltar a girar. E uma multidão de estranhos rodear-nos. A invadir os nossos ouvidos com ruídos incompreensíveis. E a destruir a magia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio prenhe. Que traz dentro de si todas as palavras de amor do mundo. O silêncio com que olhamos a pessoa amada. O silêncio com que nos damos as mãos e que aquece o coração como chocolate quente no Inverno. Quando a respiração no frio sabe tão bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio primordial. Pai e mãe de todas as coisas que ainda estão por dizer. O silêncio criador dos artistas. Dos sonhadores. Dos loucos. O silêncio redentor quando já não resta nada. E somos abandonados numa luta mortal contra os fantasmas dentro de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio de uma paisagem de Trás-os-Montes. O silêncio das montanhas. Das fragas. Dos montes. Das veredas. Das fontes. Dos vales. O silêncio quente da Terra. Das gentes. O silêncio de uma chaminé a anunciar uma família feliz lá dentro. O silêncio dos campos acabados de lavrar. Do folar a sair do forno na Sexta-Feira Santa. O silêncio da procissão a sair da Igreja e a percorrer a aldeia em dias de festa. O silêncio do fim de tarde. Quando o Sol se espreguiça no Horizonte. Por sobre longes que não posso crer que existam. Que são belos demais para existirem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Que não me posso lembrar que existem. Que me faz doer saber que existem. E eu longe deles não só pelas paredes e pelas janelas e pelas portas que nos separam. Mas pelos anos. E pela felicidade de ter sido criança lá. E pela felicidade de todos os que me ensinaram a ser quem sou terem visto os pôres-do-Sol a meu lado. E pela infelicidade de. Agora. Hoje. Neste quarto cheio de mim e mais nada. Quase tudo. Que me prendia aos encantos inesquecíveis da infância nesses sítios. Ter desaparecido. E eu ser impotente para trazer a mim e ao meu abraço. Tudo aquilo. Vocês.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio dos meus passos para trás e para a frente em cima do muro estreitinho do caminho. A espreitar o Sol a desaparecer ao fundo por cima da serra. O silêncio do sino da igreja a repicar bem alto nas distância ( Que não se pode medir. E por isso é linda. Linda). O silêncio da árvore grande no fundo do quintal. Onde lá em cima. Pendurada nos ramos fortes. Uma bicicleta vermelha que foi do meu pai e dos irmãos antes dele. O silêncio do tanque de lavar a roupa ( Um tanque grande. Não desses de trazer por casa). Onde tomei banho por vezes. O silêncio doloroso do tanque de lavar a roupa. Agora sem ninguém a lavá-la. Agora sem roupa. Agora sem água. Agora já nada a não ser no silêncio da minha memória. O silêncio de tudo dentro de mim. O silêncio que agora me fere. E me impede de continuar a resgatar do fundo do baú. Os retalhos do que sou. Do que sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consigo mais. Não dá. Dói. Por agora. Antes que a esfera perfeita se quebre. E eu me desfaça em mil pedaços de vidro partido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-112891226150692543?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/112891226150692543/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=112891226150692543&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/112891226150692543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/112891226150692543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2005/10/o-silncio-das-coisas.html' title='O silêncio das coisas...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-112888291951518959</id><published>2005-10-09T19:27:00.000+01:00</published><updated>2005-10-09T19:35:19.520+01:00</updated><title type='text'>O amor é isto...</title><content type='html'>Um dia hei-de ser criança. E hei-de ter ovelhas para pastorear. A minha mãe há-de preparar-me o farnel com amor. Mesmo que uma côdea dura e pão. Não faz mal. Tudo me saberá a mel. Porque será mel o que me há-de apetecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hei-de ter um cajado e um cão. Um cão chamado Leão. Um cãozinho chamado Leão. E os montes serão o meu recreio. Desde o amanhecer ao pôr-do-Sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia. Eu sei que hei-de ter uma flauta. Feita pelo meu pai de um pedaço de árvore que a Terra há-de arrancar de si mesma. E hei-de encostar-me à sombra de uma árvore. De uma árvore que hei-de preferir. A embalar o vento com o som que me sairá. Das mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hei-de. Um dia. Guardar rebanhos como quem tem sonhos por guardar. E por alimentar. E por proteger. Até que venha um dia. Até que venha o dia. Em que. Una os meus sonhos que hão-de ser ovelhas a pastar. Aos sonhos de uma menina. Que há-de ser pastora de ovelhas. Como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os nossos sonhos amadureçam. E se façam dias. Uns atrás dos outros. Sem que nunca. Nunca. Deixemos de subir os montes. De mão dada e cajado nas mãos livres. Com dois cãezinhos lado a lado. A ensinar aos rebanhos a liberdade de se amar alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roma, 21/09/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-112888291951518959?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/112888291951518959/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=112888291951518959&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/112888291951518959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/112888291951518959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2005/10/o-amor-isto.html' title='O amor é isto...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-112872643165828746</id><published>2005-10-07T23:58:00.000+01:00</published><updated>2005-10-08T00:07:11.666+01:00</updated><title type='text'>O teu cabelo...</title><content type='html'>Não sei quem és. Mas deixaste no meu quarto. No quarto que hoje é meu. Mas outrora não. Um cabelo teu. No quarto. O que agora é meu e um dia foi teu deixaste um cabelo. Não sei quem és. Não sei o teu nome. Não sei se és bela ou feia. Nova ou velha. Igual ou diferente de mim. Não sei. Sei que um dia. Tinhas cabelos. Que se soltavam como folhas num Outono de antigamente. E que o deixaste esquecido num quarto. Que agora (Talvez) tenhas esquecido também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechaste-o num envelope lacrado. Debaixo de uma tábua solta do soalho. E eu não sei. Se lá dentro te guardaste a ti toda do medo do mundo. E do medo que te esquecesse. Fechada. Com lacre. Numa tábua solta da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se te lembras da tua mão a buscar o envelope. A verter o lacre. Aquecido. A carimbá-lo com o carimbo de madeira gasta que encontraste no sotão, em criança. Não sei se recordas o cabelo. Caído no ombro? Na almofada? Arrancado pelos teus dedos sem idade? (Porque não ta sei.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei nada disso. Nem o teu nome. Nem o brilho do teu olhar sob a lua cheia de um Verão perfeito. Não sei se te amaria ou não. Se me prenderias a ti como barco num mar agitado se prende ao porto. Só sei a cor do teu cabelo. E a marca do teu carimbo. E o envelope envelhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei nem posso saber. Porque o fizeste. Mas hoje. Aqui. Sem cabelos. Nem envelopes. Nem eu a escondê-los no soalho. Sinto que não sou eu quem escreve estas linhas. És tu. Foste tu que as escreveste. Com a ponta do teu cabelo. E as deixaste. Subentendidas e perfeitas. No vazio aparente do envelope.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Florença 16/09/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-112872643165828746?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/112872643165828746/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=112872643165828746&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/112872643165828746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/112872643165828746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2005/10/o-teu-cabelo.html' title='O teu cabelo...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-112837958732972289</id><published>2005-10-03T23:45:00.000+01:00</published><updated>2005-10-03T23:49:41.266+01:00</updated><title type='text'>A morte...</title><content type='html'>Um dia hei-de escrever uma história com personagens que nunca morrem...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-112837958732972289?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/112837958732972289/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=112837958732972289&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/112837958732972289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/112837958732972289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2005/10/morte.html' title='A morte...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-112794040085602026</id><published>2005-09-28T21:39:00.000+01:00</published><updated>2005-10-03T23:48:38.243+01:00</updated><title type='text'>Solidao...</title><content type='html'>Não sei. Às vezes. Os dias. Aparecem uns em frente dos outros como pessoas. Numa fila. Para ver um museu de Florença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras vezes porém. Tudo passa depressa como as pessoas. Na plataforma. Lá fora. Das vidraças embaciadas do comboio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nao quero mais nada. Mais nada.&lt;br /&gt;Só o silêncio. E a dor nas pernas de quem não sabe se a alma pesa ou alivia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero nada. Nada. Nem sonhos. Nem palavras. Nem sorrisos. Nem promessas. Que se quebram. Como vidros em chãos de cozinha. Ai... ai... tudo cansa. Tudo dói. Tudo é uma corrida louca para um destino que nunca vamos alcançar. Pois é. Se eu quisesse dizer algo a alguém. Hoje. Era isto. Só isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que diria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Florença, 19/09/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-112794040085602026?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/112794040085602026/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=112794040085602026&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/112794040085602026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/112794040085602026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2005/09/solidao.html' title='Solidao...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-112500951132283477</id><published>2005-08-25T23:24:00.000+01:00</published><updated>2005-08-27T03:07:40.126+01:00</updated><title type='text'>Oco...</title><content type='html'>A minha mão vazia. A minha mão vazia sem os teus dedos a nascerem dos meus. Sem os teus dedos entrelaçados nos meus como troncos de árvore que se beijam eternamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coração esburacado. Perfurado. Como se tivesse fome. Sem ter fome. Como se tivesse sede. Sem ter sede. O coração fragmentado. A vontade de não estar aqui. De não estar ali. A vontade de estar em nenhum lado. Nem mesmo dentro de mim. O absoluto vazio que me enche na ausência de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos errantes. Não quero nada do que me possam dar a ver. Não quero nada. Guardo a máquina fotográfica no saco. Não quero paisagens. Nem retratos. É tudo feio como. Como. Como só a tua falta em meu redor pode ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dedos doem-me. Como artroses em mãos idosas. Não consigo segurar uma caneta e encostá-la a uma folha vazia. Deslizá-la muito menos. Não quero pensar. Nem relembrar. Nem imaginar-te longe de mim. Porque me faz triste como pardais em gaiolas. Sem portinha para escapar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Não quero nada. Espero-te apenas. Com as mãos encostadas ao vazio que me separa de ti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-112500951132283477?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/112500951132283477/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=112500951132283477&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/112500951132283477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/112500951132283477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2005/08/oco.html' title='Oco...'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7311495.post-112475253004051339</id><published>2005-08-23T00:11:00.000+01:00</published><updated>2005-08-23T00:17:13.146+01:00</updated><title type='text'>Trás-os-Montes. Chaves-Avelanoso 2005.</title><content type='html'>Voltei de lá de cima...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pureza primordial que me transmitem as paisagens, as pessoas, o ar. A beleza indescritível das noites estreladas (sim, o céu tem estrelas). O pôr-do-Sol mágico por sobre os sinos da igreja. O escoar lento dos dias como de uma ampulheta preguiçosa... não consigo... é inútil... não posso descrever o contraste que há. A alegria que aquela calma me transmite. Aqui. Agora. Os dedos ainda se lembram das rochas que tocaram. Que abraçaram de manhã. Um destes dias. Quando o fumo da cidade. E dos dias. Me engolir. Vou pensar que aqui há Sol e praia e cinema e shoppings. E apesar de sorrir e cantar e dançar. Vou ficar. Vou sentir-me. Triste como uma flor que retiraram da terra e colocaram numa redoma de vidro. Numa janela de um prédio para o desconhecido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7311495-112475253004051339?l=fragmentosaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/feeds/112475253004051339/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7311495&amp;postID=112475253004051339&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/112475253004051339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7311495/posts/default/112475253004051339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragmentosaovento.blogspot.com/2005/08/trs-os-montes-chaves-avelanoso-2005.html' title='Trás-os-Montes. Chaves-Avelanoso 2005.'/><author><name>Pirata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10009412697792720186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
